Com R$ 1,6 bilhão aplicado no primeiro ano de vigência, acordo prevê ações em renda, saúde, assistência social e recuperação ambiental na bacia.
Por Redação | Sistema MPA
Divinópolis (MG) | 11/01/2026
Resumo em 30s
- R$ 1,6 bilhão foi destinado a ações de reparação em 2025, primeiro ano de vigência do Novo Acordo.
- Programa de Transferência de Renda já repassou mais de R$ 434 milhões a 35 mil trabalhadores.
- Na saúde, R$ 562,6 milhões foram transferidos aos 49 municípios, com obras e serviços previstos.
- O acordo prevê participação social com conselho deliberativo e fundo popular para projetos das comunidades.
- Aqui está a **lista dos municípios de Minas Gerais que têm sido citados oficialmente como beneficiados ou contemplados pelo Novo Acordo / Acordo de Reparação da Bacia do Rio Doce, com ações de transferência de renda, repasses em saúde, assistência social e outros programas relacionados ao desastre de Mariana (2015):
- 📍 Municípios de Minas Gerais contemplados pelas ações do Acordo do Rio Doce
- Aimorés
- Alpercata
- Barra Longa
- Belo Oriente
- Bom Jesus do Galho
- Bugre
- Caratinga
- Conselheiro Pena
- Coronel Fabriciano
- Córrego Novo
- Dionísio
- Fernandes Tourinho
- Galiléia
- Governador Valadares
- Iapu
- Ipaba
- Ipatinga
- Itueta
- Mariana
- Marliéria
- Naque
- Ouro Preto
- Periquito
- Pingo D’Água
- Ponte Nova
- Raul Soares
- Resplendor
- Rio Casca
- Rio Doce
- Santa Cruz do Escalvado
- Santana do Paraíso
- São Domingos do Prata
- São José do Goiabal
- São Pedro dos Ferros
- Sem Peixe
- Sobrália
- Timóteo
- Tumiritinga
O que diz o balanço do Novo Acordo
Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), o Novo Acordo do Rio Doce completou em 2025 seu primeiro ano de vigência com mais de R$ 1,6 bilhão destinados a ações de reparação em territórios afetados pelo rompimento da barragem de Fundão (Mariana-MG), ocorrido em 2015.
O texto aponta que o acordo abriu uma “nova etapa”, com foco em recuperação ambiental, fortalecimento de políticas públicas e maior participação das comunidades atingidas no processo.
Transferência de renda: quem recebeu e quanto foi pago
Uma das ações destacadas como mais rápida é o Programa de Transferência de Renda (PTR), voltado a agricultores familiares e pescadores artesanais que tiveram atividades interrompidas após o rompimento.
De acordo com a Secom, o PTR começou a ser pago em julho de 2025 e já transferiu mais de R$ 434 milhões para 35 mil trabalhadores.
Saúde: repasses a municípios e obras previstas
O balanço informa que a saúde é um dos eixos centrais do acordo, com previsão de R$ 12 bilhões ao longo de 20 anos para fortalecer a rede de atendimento nos territórios.
Em 2025, o Ministério da Saúde teria repassado R$ 562,6 milhões aos 49 municípios afetados para execução de planos locais, incluindo construção e/ou reforma de UBS, CAPS, policlínicas e UPAs.
Para 2026, o texto cita previsão de novos repasses de R$ 263 milhões aos fundos municipais de saúde.
Assistência social e participação das comunidades
Na assistência social, o acordo prevê R$ 640 milhões em 20 anos. Em 2025, foram transferidos R$ 25 milhões aos 49 municípios por meio do Fundo Nacional de Assistência Social, segundo a Secom.
O balanço também destaca mecanismos de participação social, como:
- criação do Conselho Federal de Participação Social (CFPS);
- atuação de Assistências Técnicas Independentes (ATIs);
- consultas a comunidades tradicionais.
O CFPS, instalado em setembro de 2025, é descrito como composto por 36 conselheiros (metade sociedade civil e metade governo) e com caráter deliberativo sobre o Fundo Popular, uma reserva de R$ 5 bilhões para projetos conduzidos pelas próprias comunidades atingidas.
Meio ambiente: APA na foz e monitoramento da água
No eixo ambiental, a Secom informa que o Novo Acordo prioriza restauração de ecossistemas e governança ambiental. O texto cita a criação, em junho de 2025, da Área de Proteção Ambiental (APA) da Foz do Rio Doce, com 45 mil hectares no norte do Espírito Santo.
O balanço menciona ainda a continuidade de programas de monitoramento, incluindo acompanhamento da qualidade da água e sedimentos na bacia e monitoramento da biodiversidade aquática.
Entenda o acordo: valores e divisão dos recursos
A Secom descreve o Novo Acordo do Rio Doce como um instrumento firmado entre a União, os governos de Minas Gerais e Espírito Santo e as empresas responsáveis, repactuando ações iniciadas desde 2016.
O balanço aponta valor global de R$ 170 bilhões, incluindo:
- R$ 100 bilhões destinados aos poderes públicos (com R$ 49,1 bilhões para a União);
- R$ 32 bilhões em indenizações individuais e obrigações de fazer;
- R$ 38 bilhões já executados anteriormente.
Box: Contexto rápido
O rompimento da barragem de Fundão, em 2015, deu origem a um dos mais amplos processos de reparação socioambiental do país, com impacto em dezenas de municípios ao longo do Rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Fonte: BH 24 Horas