Mais de dez anos depois, uma decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho) confirmou a condenação da Prima Foods a indenizar Ana em R$ 35 mil pela discriminação de gênero sofrida em dezembro de 2024. Ela havia entrado com a ação judicial após ser demitida, em 2019. O frigorífico recorreu contra a condenação do TST e o recurso aguarda análise de admissibilidade pela Justiça.
“É um processo [judicial] emblemático, que representa um avanço. Mas, enquanto não houver outros órgãos fazendo a fiscalização, atuando de forma efetiva, só a condenação é muito pouco. Não irá trazer uma mudança interna de mentalidade”, avalia Iara Neves, advogada que atuou no caso.
A Prima Foods afirmou à Repórter Brasil que repudia com veemência “qualquer forma de discriminação” e que reforça seu “compromisso com o respeito à dignidade humana e à diversidade”. A empresa diz que as práticas apontadas no caso, referentes a um processo de 2019, “não refletem os valores da Prima Foods” e que criou um canal “efetivo” de ouvidoria em 2020, além de realizar “campanhas anuais de conscientização interna oferecendo orientação e treinamento a todos os seus colaboradores”. A Prima Foods também afirmou acreditar “em um mundo mais justo, ético e inclusivo” e que possui “ações afirmativas para que isso se reflita em todas as nossas relações interpessoais entre nossos colaboradores”.
‘Trabalho de homem’
Quando entrou na empresa, Ana foi colocada na função de auxiliar, que, explica, era exercida por homens. Ela movia os carrinhos que transportavam, cada um, cinco caixas de carne, que, por sua vez, pesavam em torno de 30 quilos cada. Depois, observando o trabalho das outras funcionárias, aprendeu o ofício de faqueira e foi promovida.
Em uma ocasião, entretanto, foi recrutada por um superior para cumprir funções que exigiam grande força física, em um posto diferente do seu. Quando reclamou com o chefe do setor, ouviu a justificativa de que “tinha mais força por ser homem e ter mais resistência”, conforme relatou o próprio encarregado da empresa em seu depoimento à Justiça, acessado pela Repórter Brasil. À reportagem, a Prima Foods afirmou que desligou o funcionário em questão e que atualmente o processa “para reparação da sua conduta irregular e ressarcimento da indenização mencionada”.
Fonte:UOL