O número de mortes de animais durante a exportação foi obtido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A reportagem também solicitou a quantidade de bois e vacas feridos durante as viagens e o nome das empresas exportadoras, mas não obteve as informações. Das 393 viagens realizadas entre janeiro de 2020 e março de 2025, 306 registraram mortes de animais, representando cerca de 77,8% das travessias.
“Os dados confirmam o que as organizações e ativistas da causa animal já sabiam e já vinham denunciando há muito tempo: a exportação de animais vivos é uma atividade intrinsecamente prejudicial à saúde e ao bem-estar dos animais. E, por essa razão, ela deve ser proibida”, avaliou George Sturaro, diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Mercy For Animals no Brasil.
O número de mortes, no entanto, deve ser muito maior, alertou Sturaro. Primeiro, porque os dados são fornecidos pelas próprias empresas, sem nenhum tipo de fiscalização do Mapa. Segundo, porque não entram no cálculo as mortes que ocorreram após o desembarque. “Estamos pensando não apenas nos animais que morrem durante a travessia, mas nos animais que morrem em decorrência de lesões, doenças e outras complicações adquiridas durante a viagem”, explicou.
Triturador de animais mortos
A causa das mortes durante a exportação é um ponto central a ser discutido, disse Vania Plaza Nunes, médica-veterinária e diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. A ONG atua desde 2005 para proibir esse comércio, inclusive com ações na Justiça.
“Eles morreram do quê? Cadê a descrição do caso clínico que esses animais tiveram? Cadê o material de necrópsia?”, questionou Nunes. “Porque nunca ninguém permite que você entre num navio, seja aqui, seja durante uma parte da viagem, seja quando os animais chegam no exterior, para verificar as condições.”
Fonte:UOL