O ator, dramaturgo e escritor Pietro Cadete coautor do livro Olhares que Filtram, publicado ao lado de seu pai, o ator Rainer Cadete dá início a uma nova fase na carreira com o monólogo “Minha Última Refeição”, uma obra que une teatro, gastronomia e memória em uma narrativa intimista. A temporada acontece entre 20 e 28 de novembro, na Vila Buarque, em São Paulo.
A montagem propõe uma experiência diferente do formato tradicional: enquanto conduz o público por suas memórias, Pietro cozinha um jantar real no palco, transformando o gesto cotidiano de preparar alimentos em um rito de partilha e conexão. A figura da avó, marcada por amor, ausência e legado afetivo, permeia todo o espetáculo como ponto de partida para reflexões sobre pertencimento, luto e resistência.

Cozinhar como dramaturgia
No solo, ingredientes, utensílios e gestos rotineiros ganham dimensões simbólicas. A receita conduz o tempo da cena, a narrativa e o ritmo das emoções. A proposta é criar uma imersão sensorial, em que o espectador é convidado a entrar na cozinha do ator e, simbolicamente, na história de sua família.
Com texto assinado por Pietro Cadete e Fábio Severo e direção de Victor Lazzari, a obra combina poesia, humor, melancolia e esperança, criando um mosaico emocional sobre aquilo que, de fato, nos sustenta quando o mundo parece desabar.
O que diz Pietro Cadete sobre o espetáculo
Em seus relatos sobre o processo criativo, Pietro destaca que o monólogo nasceu de um período de recolhimento e introspecção:
“”Minha Última Refeição” começou num silêncio grande demais. Eu escrevia como quem cozinha: juntando o que havia sobrado lembranças, cheiros, conversas que nunca terminaram. Logo entendi que não estava falando só de comida, mas do que tentamos alimentar quando tudo lá fora parece distante. Minha avó volta como presença, sabor e memória. Transformar essa intimidade em encontro foi o maior desafio. No fim, o espetáculo virou um jantar servido com vulnerabilidade e esperança.”
A direção: transformar o simples em encontro
O diretor Victor Lazzari também sublinha o caráter sensorial da obra. Com cenografia minimalista de Mateus Fiorentino e iluminação precisa, o objetivo é criar proximidade entre artista e plateia, reforçando a ideia de que pequenas ações têm força transformadora.
“Cada sabor é uma lembrança. Cada prato, uma história. A peça trata da delicadeza dos gestos e de como a arte pode transformar solidão em encontro”, afirma o diretor.
Fonte:www.glp4.com