Josh Beauchamp vive atualmente um momento de muitas mudanças, não apenas na música, mas na identidade, na rotina e na forma de enxergar o próprio trabalho. Conversamos com ele em seu hotel em São Paulo, em um encontro permeado de honestidade e maturidade, sobre o processo que o trouxe até aqui.
Ao ser questionado sobre como tem se sentido nessa nova etapa, Josh demonstra uma combinação de alívio, empolgação e reflexão. Seus últimos anos foram intensos, e ele não disfarça isso. O relato evidencia alguém que finalmente se vê no controle da própria narrativa, depois de um período longo e emocionalmente complexo.
“Estou me sentindo muito, muito bem. Nos últimos anos tem sido uma jornada maluca. Tem sido uma montanha-russa, com muitos altos e baixos até chegar onde estou agora. Mas estou me sentindo muito bem.”
Quando fala sobre o que espera que as pessoas entendam dessa nova fase, Josh revela um senso de responsabilidade de peso para alguém tão jovem. Ao mesmo tempo, deixa claro que prefere que o público o conheça através da arte.
“Eu acho? eu acho que elas só vão precisar ouvir a música e assistir aos visuais, e eu acho que isso vai falar por si só nesse sentido. Eu acho que quero que elas percebam que eu realmente, realmente trabalhei muito, muito duro nisso e dediquei muito tempo e meus três anos inteiros, até antes disso, à música e a me tornar o artista que quero ser. E sim, eu acho que é isso que quero que elas entendam.”

A mudança que ele viveu não foi apenas estética ou musical, foi psicológica. Sua fala sobre a parte mais difícil da transição é, talvez, um dos momentos mais reveladores da entrevista.
“Acho que a parte mais difícil dessa transição foi o fato de que agora tudo meio que depende de mim. Vindo desse grupo, nós meio que só éramos informados para onde precisávamos ir, o que precisávamos fazer. A gente aparecia, fazia, e tinha uns aos outros no processo. E essa era a minha vida. E agora eu acho que literalmente tudo começa por mim. Então eu tenho que ser o responsável por liderar tudo, ter cada ideia e fazer tudo acontecer na realidade. E isso tem sido muito, muito, muito difícil vindo do grupo, porque eu fui programado para apenas aparecer e fazer meu trabalho, e agora tenho que fazer tudo”
Ao refletir sobre ter tabalhado Justin Bieber e Dove Cameron no passado, Josh oferece um vislumbre da imersão criativa que viveu nos bastidores. Não é um relato sobre glamour, mas sobre observação e formação artística.
“Eu aprendi tantas coisas. Especialmente com a Dove, porque tive muito tempo para trabalhar? tive muito tempo para passar com a Dove e realmente conversar com ela. E ela tem uma visão tão sólida de quem quer ser como artista. E isso é algo que respeito muito. O coreógrafo que trabalhava com a gente antigamente e com a Dove sempre me diz que você, como artista, precisa ser capaz de se descrever em três palavras. E acho que a Dove é alguém que você definitivamente consegue descrever em três palavras. E isso é algo que tenho buscado muito, muito intensamente para definir a mim mesmo como artista. E eu ainda não cheguei lá, eu acho, mas eu me esforço para ser tão artisticamente articulado quanto a Dove, e claro, o Justin Bieber também. Mas eu consegui conversar muito mais com a Dove.”

Josh viveu o Now United de forma completa, do palco aos bastidores. Por isso, suas memórias pessoais oferecem um retrato sincero e emocional dos anos ao lado do grupo. E ele as cita de forma realmente tocante.
“Honestamente, as melhores memórias que tivemos foram as que não estavam diante das câmeras. Grande parte da nossa vida era filmada. Tínhamos o show, tínhamos videoclipes, tínhamos vídeos de dança. Tinha tanta coisa sendo filmada o tempo todo. E, no fim do dia, só uns 5% de nossas vidas eram realmente filmados. Os outros 95% éramos nós apenas sendo jovens em um grupo pop, viajando pelo mundo. E tem tantos momentos mágicos que tivemos? tipo uma vez no México em que eu, o Noah e a Sabina corremos para o oceano por volta da meia-noite, quando a praia já deveria estar fechada. Apenas memórias assim, que mostram nossa juventude e nossa liberdade e o fato de viajar o mundo, ser jovem e simplesmente viver.”

Josh falou também sobre seu vínculo com os fãs brasileiros, que continua forte e resiste ao tempo.
“Eu acho que os fãs brasileiros são provavelmente os fãs mais apaixonados do mundo inteiro. Quero dizer, eles amam amar, e eles amam amar todo mundo. E tem sido tão incrível voltar ao Brasil e ver que ainda temos nossos fãs aqui. E eu estava um pouco preocupado voltando, só me perguntando se, sabe, eles ainda estariam aqui e ainda se importariam. E, bem, eles estão lá fora do hotel agora, então acho que estamos fazendo algo certo.”
A entrevista termina com leveza quando o cantor é perguntado sobre o idioma brasileiro.
“Ah, sei. Sinto que perdi um pouco do meu português nos últimos três anos, mas eu sei “Oi, eu sou o Josh’, ‘Eu sou do Canadá”, “Guaraná”, ‘Oi gostosa’. O que mais?… Eu falo coisas muito ruins.”
A conversa deixa evidente que ele está assumindo, pela primeira vez, o protagonismo completo da própria história. Entre lembranças no Now United, aprendizados com artistas que admira e a sinceridade ao falar sobre dúvidas e desafios, ele mostra a complexidade de se reinventar depois de viver um fenômeno global. Este é um momento de afirmação não somente profissional, mas também pessoal, e o Brasil segue sendo um dos lugares onde ele se sente acolhido para mostrar essa nova versão de si. Se o futuro ainda está sendo escrito, Josh o faz com coragem, consciência e um coração aberto para o próximo capítulo.))
Fonte:www.glp4.com