
O final de ano de 2025 chegou com uma faísca inesperada nas redes sociais: a nova campanha da Havaianas, estrelada pela talentosa Fernanda Torres, se viu no centro de uma tempestade política. Figuras da direita não tardaram em acusar o comercial de conter mensagens subliminares com viés ideológico, transformando a peça publicitária em um verdadeiro campo de batalha ideológico.
A polêmica começou com uma brincadeira que, aos olhos de alguns, soou como heresia. No vídeo, Fernanda Torres, que vive um momento glorioso com o sucesso de ‘Ainda Estou Aqui’, subverte a tradicional superstição de começar o ano com o pé direito. Suas palavras:
“Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não, não é nada contra a sorte, mas vamos combinar: sorte não depende de você, depende de sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca…” – declarou Fernanda Torres no comercial.
O objetivo era claro: incentivar atitude e iniciativa, em vez de mera esperança na sorte. Contudo, essa mensagem não foi bem recebida por todos. Políticos e militantes da direita interpretaram a fala como um ataque velado às suas convicções.
Reações e boicote
O vereador de São Paulo, Rubinho Nunes (União-SP), foi um dos primeiros a disparar críticas, acusando a marca de explicitar um viés ideológico e relembrando a ligação da Havaianas com a família Moreira Salles, que também financiou um filme sobre a ditadura militar protagonizado por Fernanda Torres. Outros nomes, como o deputado Rodrigo Valadares (PL-SE) e o ex-ministro Gilson Machado Filho, engrossaram o coro das críticas.
A reação não se limitou às palavras. Nas redes sociais, um movimento de boicote ganhou força, com internautas e políticos indicando marcas concorrentes como Rider, Ipanema e Crocs como alternativas para as celebrações de Réveillon. A hashtag #BoicoteHavaianas se espalhou rapidamente, demonstrando a insatisfação de parte do público.
Especialistas em marketing político apontam que essa reação exacerbada pode ser um reflexo da proximidade das eleições gerais de 2026. Em um ambiente político já polarizado, qualquer mensagem que possa ser interpretada como crítica à direita é vista com desconfiança e hostilidade.
Até o momento, a Alpargatas, empresa detentora da Havaianas, preferiu não se manifestar sobre as acusações de viés ideológico, mantendo o foco na mensagem original da campanha: um convite a encarar o novo ano com determinação e garra.
Resta saber se essa polêmica terá algum impacto nas vendas da Havaianas ou se será apenas mais uma tempestade em copo d’água no acalorado cenário político brasileiro. Uma coisa é certa: a marca se viu, mais uma vez, no centro de um debate que transcende o mundo da moda e do marketing.
Fonte:www.glp4.com