
Nascida em Belford Roxo e criada na comunidade de Marapicu, em Nova Iguaçu, ela integra o elenco do longa-metragem “A Versão da Lei”, dirigido por Nina Fachinello, que chega aos cinemas brasileiros em 2026. O filme conta ainda com Mariana Xavier e Cacau Protásio no elenco.
Na produção, Lian interpreta Jéssica, uma jovem estudante moradora do Morro da Providência, a primeira favela do Brasil. Para a atriz, o papel dialoga diretamente com sua própria trajetória de vida e com a história de luta de sua família. “Venho de uma família que, tanto do lado materno quanto paterno, carrega uma longa história de luta pela terra, pelo direito à moradia digna e pelo cultivo respeitoso”, explica.
Lian relembra que seus antepassados enfrentaram conflitos, perseguições e expulsões territoriais. De um lado, a família Teixeira, marcada pela luta no campo e pela defesa da reforma agrária. Do outro, a família materna, retirada de seu território amazônico após conflitos que dizimaram a comunidade de seu bisavô. “Acabamos em ocupações e favelas na Baixada Fluminense e nas periferias do Rio de Janeiro. Sou a continuidade de um povo que luta pela terra. Uma vez ouvi que sou uma princesa sem terra. A frase soa estranha, mas faz sentido quando entendemos que não possuímos a terra, nós somos a terra”, reflete a atriz.
Ativista e artista, Lian também destaca a importância da representatividade indígena nas telas, especialmente quando se trata de populações que vivem em favelas e periferias. Ela observa que o interesse das grandes mídias pelo tema indígena chegou de forma tardia, mas tem contribuído para ampliar o debate sobre a diversidade dos povos originários no Brasil. Recentemente, a atriz dirigiu o curta documental “Floresta Cicatriz”, realizado pela Anauá Filme, produtora audiovisual independente da qual é cofundadora ao lado de Patrick Raynaud.
O curta registra a Aldeia Marakanã, território pluriétnico localizado ao lado do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, símbolo da retomada indígena em contexto urbano. “O filme entrelaça memória, resistência e ancestralidade. Ele revela cicatrizes e também a força de um movimento que resiste e refloresce há décadas na cidade”, afirma Lian. Para ela, ampliar essas narrativas ajuda a desconstruir a visão limitada sobre os povos indígenas ensinada historicamente nas escolas. “Estamos em vários lugares e, muitas vezes, não foi uma escolha. Mas o lugar onde estamos não apaga nossa identidade”, pontua.
Ao falar sobre sua personagem em “A Versão da Lei”, Lian reforça as semelhanças entre ficção e realidade. “Jéssica vem da favela, assim como eu. Cresci em Marapicu, na periferia de Nova Iguaçu, construída sobre uma antiga linha de trem. Ela é da Providência. Ambas somos mulheres que lutam contra a violência de gênero”, conta. Segundo a atriz, o filme surge como uma resposta urgente aos dados alarmantes de feminicídio no país. “O Brasil é um dos países que mais mata mulheres no mundo. Jéssica representa muitas que sofreram as consequências do machismo”, analisa.
Bisneta de João Pedro Teixeira e Elizabeth Teixeira, líderes camponeses retratados no documentário “Cabra Marcado para Morrer”, Lian carrega a história de seus antepassados como base de sua atuação artística e política. Ao longo da carreira, atuou em produções como “Vai na Fé”, teve destaque na série “Dom” e participou recentemente do longa “Eclipse”, dirigido e protagonizado por Djin Sganzerla. O filme, que conta com nomes como Sérgio Guizé, Helena Ignez, Selma Egrei e Pedro Goifman, foi exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e segue em circuito de festivais até 2026.
Fonte:www.glp4.com