É fundamental deixar claro que nem toda convulsão tem relação com epilepsia e que nem todos os pacientes precisam de uma intervenção nutricional específica
O episódio envolvendo Henri Castelli, que passou mal durante uma prova de resistência no BBB26 e apresentou um quadro convulsivo, gerou grande comoção e levantou uma série de questionamentos sobre saúde neurológica. Embora a causa da convulsão ainda não tenha sido divulgada e não seja correto tirar conclusões precipitadas, o caso reacende um debate importante e pouco conhecido pelo grande público: em situações específicas, a alimentação pode ser uma aliada no tratamento de pacientes que convulsionam.
É fundamental deixar claro que nem toda convulsão tem relação com epilepsia e que nem todos os pacientes precisam de uma intervenção nutricional específica. Ainda assim, em contextos bem definidos, especialmente quando os medicamentos não conseguem controlar totalmente as crises, estratégias alimentares podem ser consideradas como parte do cuidado clínico.
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Importante reforçar: cada caso é único. Nem toda pessoa que convulsiona precisa de uma dieta específica, e nenhuma mudança alimentar deve ser feita sem acompanhamento médico e nutricional.
O que é uma convulsão?
A convulsão é uma manifestação clínica causada por uma descarga elétrica excessiva e desorganizada no cérebro. Ela pode ocorrer por diferentes motivos, como:
- Epilepsia
- Febre (mais comum em crianças)
- Alterações metabólicas (glicose, sódio, cálcio)
- Privação de sono
- Uso ou retirada de medicamentos e substâncias
- Traumatismos ou doenças neurológicas
Nem toda convulsão significa epilepsia, e nem toda epilepsia se manifesta da mesma forma.
Onde a dieta entra nessa história?
Em pacientes com epilepsia de difícil controle, ou seja, quando os medicamentos não conseguem reduzir adequadamente a frequência das crises, algumas estratégias nutricionais podem ser consideradas como terapia adjuvante.
A mais conhecida delas é a dieta cetogênica.
O que é a dieta cetogênica?
A dieta cetogênica é um plano alimentar altamente restritivo, caracterizado por:
- Alto teor de gorduras
- Quantidade muito baixa de carboidratos
- Proteína ajustada (nem alta, nem excessivamente baixa)
Esse padrão alimentar induz o organismo a um estado chamado cetose, no qual o cérebro passa a utilizar corpos cetônicos como principal fonte de energia, em vez da glicose.
É justamente essa mudança no metabolismo cerebral que pode ajudar a reduzir a excitabilidade dos neurônios, diminuindo a frequência e a intensidade das crises convulsivas em alguns pacientes.
Funciona para todo mundo?
Não. E isso precisa ficar muito claro. A dieta cetogênica:
- Não é indicada para todos os tipos de epilepsia
- Costuma ser considerada quando múltiplos medicamentos falharam
- Exige acompanhamento rigoroso
- Pode causar efeitos colaterais se mal conduzida
Ela é mais utilizada em crianças, mas também pode ser indicada para adolescentes e adultos em contextos bem específicos.
Por que é uma dieta tão restritiva?
Porque pequenos deslizes, como excesso de carboidratos, podem tirar o paciente da cetose e comprometer o efeito terapêutico. Além disso, é comum ser necessário:
- Monitorar exames laboratoriais
- Ajustar vitaminas e minerais
- Avaliar função intestinal
- Acompanhar crescimento (em crianças)
- Trabalhar a adesão emocional e social à dieta
Ou seja: não se trata de uma dieta da moda, mas de uma estratégia clínica.
Alimentação não substitui tratamento médico
Mesmo quando indicada, a dieta não substitui os medicamentos anticonvulsivantes. Elaatua como aliada, ajudando a reduzir crises quando o controle medicamentoso isolado nãoé suficiente e cada paciente deve ser avaliado por uma equipe multidisciplinar.Em momentos em que episódios de saúde ganham visibilidade, é natural que surjamcuriosidades e especulações. O mais importante é lembrar que convulsão não tem umaúnica causa, nem uma única solução.
Fonte: Portal Leo Dias