A temporada lírica começa mais cedo neste ano, com a estreia da Companhia Brasileira de Ópera de Câmara. Idealizada pelo pianista Vitor Philomeno, a trupe sobe ao palco do Teatro B32, na próxima quarta-feira (21), para apresentar dois intermezzi: “La Serva Padrona”, música de Giovanni Battista Pergolesi, com libreto de Gennaro Federico, e “La Contadina”, composição de Johann Adolf Hasse, e libreto de Bernardo Saddùmene.
No contexto da música lírica do século 18, o intermezzo era uma obra cômica, de teor popular, criada para ser executada entre os atos de uma ópera. Segundo Philomeno, que também é preparador vocal e agente de artistas, o objetivo da companhia é trazer a ópera para um ambiente intimista. “Estamos nadando contra a corrente mundial, porque tentamos pôr de novo o cantor no centro da apresentação”, diz ele. “A palavra cantada é posta em destaque, com narrativas microscópicas.”
Philomeno acrescenta que a ópera de câmara se diferencia da chamada ópera de bolso, porque é pensada para ter um formato reduzido, não configurando uma redução de uma partitura maior, como no segundo caso. A música será interpretada por um quinteto da São Paulo Chamber Orchestra, sob a regência de Giovanna Elias. As montagens terão direção cênica de Mauro Wrona, com interpretações do baixo-barítono Saulo Javan, da soprano Carla Contini e do ator Will Anderson.
O espetáculo terá ainda a participação especial do tenor Giovanni Tristacci. Estreada em Nápoles, em 1733, “La Serva Padrona” faz um retrato da sociedade daquela época ao contar as tramoias da criada Serpina, que deseja ascender de classe social. Para tanto, ela pretende se casar com o próprio patrão, Uberto, com a ajuda de Vespone, que é mudo.
Apresentado agora pela primeira vez no Brasil, “La Contadina” estreou, em 1728, também em Nápoles. O libreto é centrado na jovem Giacinta, que conquista o casamento com o seu amado. Philomeno conta que os títulos para este ano serão anunciados, pouco a pouco. Depois da estreia, serão montadas “Lamento d’Arianna”, de Claudio Monteverdi, e “A Voz Humana”, de Francis Poulenc.
As récitas acontecerão na últiimo fim de semana deste mês, no mesmo Teatro B32, estrelando a soprano Gabriella Pace. Sob a regência de Ira Levin e com direção cênica de Pablo Maritano, o espetáculo promove um encontro entre as raízes da arte operística com a modernidade.
Uma coisa é certa: o repertório da companhia possibilita apresentação de títulos esquecidos ou nunca antes montados por aqui, caso de “La Contadina”, criando mais um espaço para os melômanos. “O século 18 foi dominado por Mozart e por Haydn, mas muita coisa interessante se perdeu”, afirma Philomeno.
Fonte:UOL