
Um dos brinquedos mais emblemáticos da infância brasileira ganha nova vida no teatro. “Susi, o Musical” chegou aos palcos paulistanos trazendo uma narrativa inédita que mistura fantasia, memória afetiva e reflexões sobre o mundo contemporâneo. A montagem estreou no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, e segue em cartaz até 12 de abril, reunindo música original, humor e comentários sociais em uma história que dialoga com diferentes gerações.
Criada pela fabricante Estrela em 1966, a boneca Susi marcou época no Brasil e agora se transforma em protagonista de um espetáculo que revisita seu legado cultural. A produção é idealizada e escrita por Mara Carvalho, com músicas de Thiago Gimenes e concepção e direção de Ulysses Cruz, nomes já conhecidos do teatro musical brasileiro. Apresentada pelo Ministério da Cultura e patrocinada pelo Itaú, a montagem aposta em uma abordagem contemporânea para discutir temas como identidade, autoestima, consumo e pertencimento.
No palco, quem assume o papel da Susi Original é a cantora e atriz PRISCILLA, artista que iniciou a carreira ainda na infância e consolidou trajetória na música pop nacional. A personagem também é interpretada em algumas sessões pela atriz Clara Verdier. Já Bruna Guerin dá vida a Bárbara, figura que simboliza padrões importados e rivalidades culturais dentro da trama.
O espetáculo acompanha a jornada de Victor, um menino de imaginação fértil que vive preso ao cotidiano das telas e pouco conectado com o mundo ao seu redor. Em um sonho que mistura fantasia e questionamentos, ele embarca em uma aventura ao lado de Susi e de outros personagens marcantes. Ao longo da trajetória, enfrenta medos, descobre novas perspectivas e atravessa um verdadeiro rito de passagem entre a infância e a adolescência.
A narrativa também apresenta diferentes versões da boneca, representando profissões e identidades diversas. Em cena estão personagens como Susi Safari, Susi Fotógrafa e Susi Jogadora, interpretadas por Ariane Souza, Luana Tanaka e Daniela Dejesus, além de outros integrantes do elenco que ajudam a construir o universo lúdico da história.
Segundo o diretor Ulysses Cruz, a proposta é ir além do entretenimento e explorar o potencial do teatro musical para abordar temas contemporâneos. “Quero fazer um musical artístico, ousado, que vá além do óbvio. O teatro musical é um terreno fértil para muitos assuntos. Susi está nos dando a oportunidade de falar sobre temas que não são usuais dentro dessa linguagem”, afirma.
A autora Mara Carvalho destaca que a ideia do espetáculo surgiu após uma conversa sobre o impacto cultural do filme “Barbie”. “Quis falar de um produto que é nosso e foi substituído. Susi é memória, identidade e também crítica ao país que cria e apaga seus próprios filhos”, diz.
Além da narrativa simbólica, a montagem aposta em uma trilha sonora diversificada. A direção musical de Thiago Gimenes mistura elementos eletrônicos e acústicos, transitando entre rock, pop, MPB, rap e trap, além de referências sonoras dos anos 1970. A música acompanha o desenvolvimento dos personagens e funciona como parte essencial da dramaturgia.
Fonte:www.glp4.com