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Copom não tem dúvida em reduzir juros, só discute o nível dos cortes


Entre ressalvas e menções a cenários de possíveis recrudescimentos de pressões inflacionárias, porém, o Copom reafirma encontrar espaço para manter a indicação oferecida na comunicação da decisão sobre juros básicos em janeiro — a de que, mesmo mantendo a Selic em terreno restritivo, existiam condições para iniciar em março um ciclo de cortes nos juros básicos.

A ata, por isso mesmo, foi considerada “dovish” (classificação que deriva de “pombo”, em inglês, denotando visão mais benigna em relação ao cenário inflacionário futuro) por muitos analistas. A economista Solange Srur, diretora de macroeconomia para o Brasil do gigante global suíço UBS WM, por exemplo, em relatório a clientes, avaliou que o Copom deveria manter “grau ainda maior de prudência analítica” diante do ambiente atual.

“Riscos inflacionários associados a commodities e geopolítica parecem subestimados. Em cenário tão incerto, seria mais prudente adiar o início do ciclo ou, caso a decisão fosse cortar, fazê-lo preservando explicitamente a possibilidade de interrupção do ciclo e de mudança no balanço de riscos.” – Solange Srur, diretora UBS WM Brasil.

“Calibragem”

Pelo descrito na ata, o Copom parece satisfeito com os resultados da política de juros. Nem mesmo o possível repique da atividade no primeiro trimestre deste ano, em relação à freada registrada no último trimestre de 2025, teria o condão de alterar a decisão de iniciar e sustentar um novo ciclo de cortes dos juros.

Experientes intérpretes da comunicação do Copom avaliaram que, na reunião de março, o que esteve em discussão no colegiado não foi o início dos cortes nos juros básicos, mas sua “calibragem” — se a redução deveria ser de 0,25 ponto percentual ou 0,5 ponto.



Fonte: UOL

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