
O Allianz Parque foi cenário de uma despedida à altura da história de um dos maiores nomes da música brasileira. Na noite do último sábado, 28 de março de 2026, Gilberto Gil encerrou oficialmente a turnê “Tempo Rei”, selando sua saída dos grandes palcos após mais de 60 anos de carreira. O estádio, lotado, virou um coro coletivo que atravessou gerações ao som de canções que marcaram época.
Desde o início, o clima foi de celebração misturado à inevitável emoção de um adeus. O repertório funcionou como uma viagem cronológica pela trajetória do artista, reunindo cerca de 30 músicas em mais de duas horas de apresentação. Sucessos como “Palco”, “Tempo Rei”, “Vamos Fugir”, “Não Chores Mais” e “Andar com Fé” levantaram o público, enquanto momentos mais intimistas surgiram com faixas menos frequentes nos shows, como “Se Eu Quiser Falar com Deus” e “Rock do Segurança”.
A grandiosidade da produção também chamou atenção. Com direção artística sofisticada e uma banda afiada, o espetáculo apostou em um equilíbrio entre tecnologia e sensibilidade. Projeções visuais, iluminação cênica e novos arranjos valorizaram a essência das composições, sem perder a identidade que consagrou o artista ao longo das décadas. A turnê, pensada como um projeto de despedida, percorreu diversas capitais brasileiras e reuniu mais de 600 mil pessoas ao longo de sua trajetória.
Outro ponto alto foram as participações especiais, que marcaram diferentes momentos da turnê. Em outras cidades, nomes como Roberto Carlos, Sandy e Liniker dividiram o palco com Gil, reforçando o diálogo entre gerações e a capacidade do artista de transitar por diferentes públicos.
No show final, a emoção dominou o ambiente do começo ao fim. Fãs de várias idades acompanharam cada verso, muitos deles com uma relação afetiva construída ao longo de décadas. Para outros, era o primeiro contato ao vivo com o ícone da MPB, tornando a noite ainda mais simbólica.
Entre uma canção e outra, Gilberto Gil fez breves reflexões sobre o tempo, conceito que norteia toda a turnê, e celebrou a conexão construída com o público ao longo de sua carreira. A escolha de São Paulo como palco do encerramento reforçou o peso cultural da cidade e consolidou o evento como um dos mais emblemáticos da música brasileira recente.
Transmitido ao vivo e acompanhado também por quem estava fora do estádio, o último ato de “Tempo Rei” extrapolou o formato de show. Foi um marco simbólico, um adeus carregado de significado e, ao mesmo tempo, a reafirmação de um legado que permanece vivo e influente na história da música.
Fonte:www.glp4.com