Depois de conquistar o público com o doce e sensível Guto em “Garota do Momento”, da Globo, Pedro Goifman inicia uma nova fase na carreira ao apostar em personagens mais complexos e desafiadores. No cinema, o ator surge em um território bem diferente do que o consagrou na televisão. Em “Eclipse”, longa dirigido por Djin Sganzerla e estrelado ao lado de Sergio Guizé e Lian Gaia, ele interpreta Felipe, uma figura marcada por atitudes violentas e por um comportamento que foge de qualquer tentativa de empatia.
A escolha pelo papel revela um movimento claro de transformação artística. O jovem ator assume o risco de se afastar do estereótipo do mocinho para mergulhar em um personagem que provoca desconforto e reflexão. “O que me atrai é o desafio. Mergulhar em um personagem diferente e entender de onde vem essa violência, que parece ser carregada por herança. O Felipe foi um mergulho em um abismo do horror, mas que ao mesmo tempo é muito palpável”, afirma.

Em vez de seguir a lógica tradicional dos antagonistas, Felipe surge como uma figura ambígua, que incomoda não apenas pelas atitudes, mas também pelo que simboliza. A construção do personagem dialoga com temas sociais e comportamentais que o filme prefere expor de forma direta, sem suavizar as tensões. Esse tipo de abordagem reforça a proposta do longa, que não pretende oferecer conforto ao espectador.
Segundo o próprio ator, a intenção da obra é provocar reações e estimular questionamentos. “Não espero uma reação positiva. Não é um filme para sair do cinema com uma sensação exatamente boa. Ele fala de uma realidade terrível e que está muito próxima. Mas ao mesmo tempo, não é um filme paralisante. Gostaria que as pessoas saíssem das salas de cinema com ímpeto de mudança e vontade de ação”, destaca.
A busca por personagens intensos também aparece em outros projetos recentes. Em “A Professora de Francês”, dirigido por Ricardo Alves Jr., Goifman vive Tomaz em uma trama que mistura suspense e terror psicológico. A produção, gravada em Belo Horizonte, reúne uma equipe internacional e marca mais um passo na expansão da carreira do ator, que passa a circular em coproduções fora do eixo tradicional brasileiro.
Mesmo com novos trabalhos no audiovisual, o teatro continua sendo um espaço fundamental em sua trajetória. O artista também se aproxima cada vez mais da criação autoral, desenvolvendo roteiros e dirigindo projetos próprios, como o curta “Adrenalina”. Esse movimento reforça uma fase de amadurecimento profissional, em que o interesse não está apenas em atuar, mas em participar ativamente do processo criativo.
Com “Eclipse” prestes a chegar aos cinemas e novos projetos já em andamento, Pedro Goifman consolida um momento de virada na carreira, apostando em personagens que desafiam expectativas e ampliam sua presença no cenário audiovisual.
Fonte:www.glp4.com