A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) manifestou profunda preocupação com a proposta legislativa que busca extinguir a escala de trabalho 6×1 e reduzir a jornada semanal para 40 horas, sem que haja qualquer diminuição salarial. A entidade considera a medida insustentável e alerta para as consequências econômicas severas que podem advir de sua implementação, impactando diretamente a competitividade das empresas e a geração de empregos no país.
Em nota oficial, a FIEMG enfatiza a necessidade de uma análise aprofundada dos impactos reais sobre os trabalhadores e a economia antes de qualquer alteração na legislação trabalhista. A federação defende que a negociação coletiva é o instrumento mais adequado para se alcançar soluções equilibradas, que contemplem tanto as necessidades dos empregados quanto a saúde financeira e a sustentabilidade das empresas brasileiras.
Impactos econômicos projetados pela FIEMG na jornada
Um estudo conduzido pela FIEMG aponta para um cenário de perdas significativas caso a proposta seja aprovada. A análise indica que a economia brasileira poderia enfrentar uma redução de até 16% no Produto Interno Bruto (PIB), o que representaria um golpe considerável para o desenvolvimento nacional. Essa projeção sublinha a magnitude do risco econômico que a medida pode acarretar.
Além da queda no PIB, a federação estima que a redução da carga horária sem a devida compensação de produtividade ou custos poderia levar à eliminação de aproximadamente 18 milhões de postos de trabalho em todo o país. Tal cenário resultaria em um aumento substancial no custo de vida para a população, com reflexos diretos e negativos no poder de compra das famílias brasileiras, agravando a situação social e econômica.
O andamento do projeto no Congresso Nacional
A proposta de alteração na jornada de trabalho tem sido objeto de intenso debate no Congresso Nacional. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, por exemplo, adiou recentemente a votação da constitucionalidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019, que visa pôr fim à escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1).
O Projeto de Lei (PL) que trata do tema tramita em regime de urgência, o que significa que precisa ser votado em até 45 dias. Caso contrário, a matéria pode trancar a pauta do plenário da Câmara, impedindo a votação de outras proposições. A PEC em questão, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), foi apensada a uma proposta similar da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que tem defendido a admissibilidade do texto na comissão.
Posicionamento da indústria sobre a escala de trabalho
Mário Marques, presidente em exercício da FIEMG, reiterou a posição da federação, destacando a falta de uma análise aprofundada sobre o impacto econômico e social da medida. Segundo ele, a redução da jornada de trabalho sem uma compensação adequada compromete a geração de empregos e a competitividade das empresas, aspectos cruciais para a saúde econômica do Brasil.
A entidade reitera que a negociação coletiva é o caminho mais prudente para se encontrar soluções que respeitem tanto as necessidades dos trabalhadores quanto a viabilidade financeira das empresas. A FIEMG argumenta que qualquer mudança legislativa de tamanha envergadura deve ser precedida por um estudo detalhado de suas consequências, evitando danos irreparáveis à economia nacional. Para mais informações sobre o projeto de lei, clique aqui.