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Gigantes em risco e Mirassol em destaque: confira o balanço financeiro dos clubes brasileiros


Estudo apoiado pela Galapagos Capital aponta que quase metade da Série A não atenderia aos critérios finais do fair play financeiro; clube do interior aparece entre os principais exemplos de equilíbrio na elite nacional

O futebol brasileiro nunca movimentou tanto dinheiro. As receitas cresceram, os investimentos em jogadores bateram recordes e os clubes ampliaram sua presença econômica dentro e fora dos gramados. Mas, por trás dos números bilionários, um estudo divulgado no Relatório Convocados 2026, produzido pela Convocados Gestão e Futebol, Outfield e com apoio da Galapagos Capital, revela um cenário que mistura crescimento, preocupação e transformação. O principal alerta é direto: se as regras definitivas do fair play financeiro já estivessem plenamente em vigor, quase metade dos clubes do Brasileirão não conseguiria aprovação.

A análise foi construída a partir do novo Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), mecanismo criado pela CBF e fiscalizado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). O sistema monitora obrigações em dia, equilíbrio operacional, custos com elenco e níveis de endividamento, prevendo punições que vão de advertências e multas até perda de pontos, restrições para registro de atletas e, em casos extremos, rebaixamento.

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 Edu Andrade/Staff Images/CBF

CBF apresentou as mudanças no calendário do futebol brasileiro de 2026 em outubro. Edu Andrade/Staff Images/CBF

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Reprodução/AGIF

Jogadores do Mirassol comemoram gol contra o Santos, pelo CampeonatoReprodução/AGIF


O próprio relatório ressalta que a avaliação não possui caráter oficial nem representa um julgamento da ANRESF. Como os clubes ainda não divulgam todos os dados no formato exigido pelo SSF, os autores criaram uma categoria intermediária para casos em que faltam informações suficientes para uma conclusão definitiva. Trata-se, portanto, de uma fotografia preliminar do desafio que o futebol brasileiro terá pela frente nos próximos anos.

Quem passaria e quem ficaria pelo caminho

Segundo a avaliação conduzida por Cesar Grafietti, apenas sete clubes seriam aprovados sem ressalvas nos critérios finais do sistema: Bahia, Flamengo, Fluminense, Juventude, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino. Outros quatro — Cruzeiro, Santos, São Paulo e Vitória — apareceriam como “aprovados com dúvidas”. Já Atlético-MG, Botafogo, Ceará, Corinthians, Fortaleza, Grêmio, Internacional, Sport e Vasco estariam reprovados.

Na prática, isso significa que 45% dos participantes da Série A não alcançariam os parâmetros exigidos para a fase definitiva do fair play financeiro. O estudo aponta ainda que o critério com maior índice de reprovação foi justamente o de equilíbrio financeiro, considerado um dos pilares centrais do novo modelo regulatório.

O paradoxo do futebol brasileiro

O relatório mostra que a indústria do futebol vive um momento de expansão sem precedentes. As receitas cresceram impulsionadas por transferências de atletas, patrocínios, acordos comerciais e participações internacionais. Ao mesmo tempo, os clubes investiram R$ 4,4 bilhões em elencos profissionais apenas em 2025, sendo o segundo ano consecutivo de gastos recordes com contratações.

O problema é que o crescimento das receitas veio acompanhado de um aumento constante das despesas e das dívidas. O levantamento calcula que o endividamento consolidado dos clubes atingiu R$ 17,3 bilhões, puxado principalmente pelas obrigações operacionais relacionadas à compra de jogadores e compromissos assumidos nos últimos anos.

O próprio relatório resume o cenário como uma contradição típica do futebol brasileiro: nunca se gerou tanto caixa, nunca se investiu tanto e, ao mesmo tempo, nunca houve tamanha pressão sobre a sustentabilidade financeira de parte dos clubes.

O destaque inesperado

Em meio aos alertas envolvendo alguns dos maiores clubes do país, um nome chama atenção pela consistência dos números. Trata-se do Mirassol. Recém-estabelecido na elite nacional e distante do poder econômico dos gigantes, o clube do interior paulista aparece entre os aprovados no SSF e surge como um dos principais exemplos de equilíbrio financeiro destacados pelo estudo.

Os dados apresentados mostram crescimento relevante das receitas, EBITDA positivo, geração de caixa consistente e uma característica rara no futebol brasileiro atual: mais recursos disponíveis do que dívidas. O relatório classifica o Mirassol como um “aplicador líquido”, situação em que o caixa supera o passivo financeiro. Além disso, suas demonstrações financeiras foram publicadas sem ressalvas.

O desempenho financeiro acompanha a eficiência esportiva observada nos últimos anos. Mesmo operando em uma realidade econômica muito inferior à dos grandes centros, o Mirassol conseguiu combinar competitividade dentro de campo com controle das contas fora dele, tornando-se uma das referências positivas da nova edição do estudo.

Uma nova era para os clubes

O levantamento sugere que o fair play financeiro poderá mudar a lógica de gestão do futebol brasileiro. O sistema estabelece limites para gastos com elenco, exige compatibilidade entre receitas e despesas e cria mecanismos para controlar o endividamento de curto prazo. Em sua fase plena, clubes da Série A não poderão ter custos com elenco acima de 70% das receitas nem dívidas de curto prazo superiores a 45% da arrecadação.

A mensagem deixada pelo relatório é clara: o futebol brasileiro continua crescendo como indústria, mas o aumento das receitas, sozinho, não garante sustentabilidade. Em um cenário de regras mais rígidas, a diferença entre sucesso e fracasso poderá depender menos do tamanho da torcida ou do investimento em contratações e mais da capacidade de transformar dinheiro em gestão eficiente.



Fonte: Portal Leo Dias

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