Uma espécie de central de ligações clandestinas operada por detentos foi descoberta dentro da Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A informação, confirmada nesta quinta-feira (31) à Itatiaia, foi denunciada por policiais penais que atuam na unidade e confirmada pelo sindicato da categoria.
Nesta semana, uma operação interna
localizou 34 celulares, 38 chips, 38 carregadores e pacotes de cigarro
Segundo as fontes da Itatiaia, os celulares eram entregues por drones, que sobrevoam a unidade durante a madrugada em baixa altitude. Contudo, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) não confirma.
No dia seguinte dos aparelhos chegarem à prisão, de acordo com policiais penais, detentos recolhiam os aparelhos e escondiam nas roupas íntimas. Para ter acesso, era cobrado de R$ 50 a R$ 1 mil, conforme o tempo de ligação.
No setor “MelhorArte”, 12 detentos têm acesso a áreas fora das celas, inclusive ao espaço externo do presídio, o que, segundo os policiais penais, facilitava o esquema. Os aparelhos eram guardados em armários até serem alugados.
A situação foi registrada em um boletim interno, que já foi encaminhado à reportagem. De acordo com a pasta, os materiais apreendidos e os presos foram conduzidos para a Delegacia de Polícia Civil, para as providências no âmbito criminal.
“A direção da penitenciária instaurou um procedimento interno para apurar administrativamente as circunstâncias do ocorrido. No curso das investigações internas, os presos envolvidos serão ouvidos pelo Conselho Disciplinar da unidade prisional e poderão sofrer sanções administrativas, que vão de advertência, em caso de classificação do ato como falta leve, à comunicação ao juiz da execução, caso seja classificado como falta grave”, informou por meio de nota.
Ciranda da Morte em outra unidade
Na última terça-feira (29), Magno Soares, diretor do Sindicato dos Policiais Penais, denunciou em entrevista à Itatiaia, a volta da “Ciranda da Morte” no Presídio Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, na Grande BH. Trata-se de uma
prática violenta entre detentos em unidades superlotadas.
Ele denunciou um aumento expressivo da violência na unidade: 19 mortes foram registradas apenas neste ano, sendo 16 delas decorrentes de atos brutais, como espancamento e perfurações com facas artesanais.
“Hoje, no Martinho Drumond, onde também trabalho, a situação é calamitosa, um barril de pólvora prestes a explodir”, disse o sindicalista. Segundo ele, a preocupação é tanto com os presos sob responsabilidade do Estado quanto com os próprios policiais penais, que atuam em condições precárias. “Nossos agentes saem de casa sem saber se vão voltar para suas esposas, filhos, mães, para o seu lar”, afirmou.
Fonte: Itatiaia