
A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito da chacina ocorrida em uma padaria de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e indiciou Magno Ribeiro da Silva, de 30 anos, por três feminicídios e uma tentativa de homicídio. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (9).
As investigações descartaram totalmente a participação de um adolescente de 17 anos que havia sido apreendido como suspeito logo após o crime, em 4 de fevereiro. O jovem, ex-namorado de uma das vítimas, chegou a ficar internado no sistema socioeducativo, mas foi liberado após a prisão de Magno.
No dia 4 de fevereiro, Magno entrou em uma padaria no bairro Lagoa usando capacete e touca ninja e efetuou diversos disparos. Morreram no local Nathielly Kamilly Fernandes Faria, de 16 anos, que trabalhava no estabelecimento, e Ione Ferreira Costa, de 56, que era cliente. Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, de 14 anos, prima de Nathielly e filha do dono da padaria, chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital no dia seguinte.
Uma quarta mulher, de 19 anos, que estava na padaria no momento dos disparos, sobreviveu. De acordo com a polícia, ela implorou para não ser morta e, ao que tudo indica, não foi poupada por Magno – a arma teria falhado por falta de munição ou problema mecânico. Antes de sair, ele teria feito uma careta para a jovem.
Motivação
Segundo a Polícia Civil, Magno não revelou a motivação do crime, mas as investigações apontam para “baixa tolerância à rejeição” e excesso de jogos eletrônicos, especialmente jogos de tiro. Os investigadores perceberam na execução do crime uma certa performance, com movimentos que lembram os comuns nesse tipo de jogo, além de uma arma estilizada com adesivo de camuflagem.
Há indícios de que ele teria tentado se aproximar de uma das funcionárias da padaria e não foi correspondido. Além disso, no dia seguinte à chacina, Magno foi até uma oficina mecânica e atirou contra funcionários – ninguém ficou ferido. Nesse caso, ele teria ficado frustrado ao ser informado de que não havia curso de pintura automotiva no local.
Adolescente era suspeito, mas não tinha participação
A família e a defesa do adolescente de 17 anos sempre negaram seu envolvimento no crime. O advogado Gilmar Francisco dos Santos disse que recebeu com alívio a conclusão da investigação e afirmou que o jovem foi vítima de uma acusação injusta.
Com a prisão de Magno, a Justiça determinou a liberação do adolescente ainda em fevereiro. O Ministério Público pediu a inclusão dele e de seus familiares em programa de proteção.
Magno Ribeiro da Silva foi preso no bairro Céu Azul, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, no dia 10 de fevereiro, com uma arma de fogo artesanal, munições, placas balísticas e uma touca ninja. Durante a abordagem, confessou a autoria dos dois crimes.
Fonte: BH 24 Horas