O governo chinês abriu diálogo com as montadoras brasileiras para manter o abastecimento de chips utilizados na fabricação dos automóveis, informou o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) em comunicado divulgado neste sábado (1°).
A iniciativa do governo chinês ocorreu após conversas do vice-presidente e ministro do Mdic Geraldo Alckmin (PSB) com a Embaixada da China no Brasil. Alckmin pediu prioridade no fornecimento dos chips às fábricas do Brasil.
Como mostrou a Folha, a produção nacional de automóveis corre o risco de ser paralisada devido a uma crise global que envolve um dos maiores produtores de semicondutores do mundo. Montadoras de todo o país podem interromper suas linhas de produção caso não haja uma solução clara para o impasse.
O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Igor Calvet, já alertou que a indústria pode começar a parar nas próximas duas ou três semanas
De acordo com o Mdic, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin foi informado na manhã deste sábado pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Quingqiao, que o governo chinês vai abrir canais de diálogo com o setor automotivo brasileiro, no sentido de evitar o desabastecimento de chips necessários à produção de carros flex no Brasil.
A possível escassez nessa área é um reflexo das disputas internacionais em torno da fabricação de semicondutores envolvendo a China e os Estados Unidos, que travam uma guerra comercial.
O risco de escassez de chips surgiu com a intervenção do governo holandês em uma empresa chinesa que opera na Holanda e detém 40% do mercado mundial de chips essenciais para carros flex.
Em reação, o governo chinês suspendeu a exportação de semicondutores produzidos na fábrica localizada na China. Na ultima quinta-feira (30), China e EUA anunciaram um acordo comercial que abre perspectivas para uma possível resolução do problema.
Na última terça-feira (28), Alckmin se reuniu com Anfavea, Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), Abipeças (Associação Brasileira da Indústria de Autopeças) e representantes dos trabalhadores. O grupo pediu o apoio do governo brasileiro, junto ao governo chinês, para que o Brasil não seja prejudicado.
No comunicado divulgado pelo Mdic, o vice-presidente afirma que a abertura do diálogo é uma excelente notícia e um passo importante indústria automotiva brasileira continue crescendo e gerando empregos de qualidade.
“A cadeia automotiva emprega 1,3 milhão de pessoas e tem impacto direto em outros setores, como siderúrgico, químico, plástico e borracha. Ainda temos de ver como isso se dará na prática, mas hoje demos um passo importante para que indústria automotiva brasileira continue crescendo e gerando empregos de qualidade”.
Fonte:UOL