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Coach e grifes usam couro de área desmatada da Amazônia, diz ONG


Outras grifes como Fendi, Louis Vuitton e Hugo Boss afirmam seguir padrões sustentáveis ao comprar couro apenas de curtumes certificados pelo Leather Working Group (LWG). Essa certificação avalia o desempenho ambiental de curtumes, mas não garante que o couro seja livre de desmatamento ou de violações de direitos humanos, já que não exige rastreabilidade até as fazendas de origem.

O próprio LWG reconheceu à Earthsight que sua certificação não assegura cadeias de fornecimento éticas ou rastreáveis até a criação do gado. Assim, curtumes podem receber a classificação Ouro ou Prata mesmo sem saber de onde vem o couro cru, o que torna essas metas sustentáveis das marcas ineficazes para combater o desmatamento, segundo a investigação.

Um exemplo disso é a Durlicouros, que afirma ter rastreabilidade total. Como mostrou o relatório, porém, a empresa compra couro da Frigol, que não rastreia fornecedores indiretos além do primeiro nível, justamente onde ocorre a chamada “lavagem de gado”.O volume de fornecimento do frigorífico para Durlicouros não é público e ambas as empresas não esclareceram quando questionadas pela Earthsight.

Outros compradores dos curtumes italianos. Chanel, Chloé, Hugo Boss, as marcas Fendi e Louis Vuitton da LVMH, bem como as marcas Balenciaga, Gucci e Saint Laurent do Kering Group disseram à Earthsight que não usam couro brasileiro, mas Fendi e Hugo Boss iniciaram investigações após tomarem conhecimento das descobertas da Earthsight.

A Chanel revelou que encerrou recentemente seu relacionamento com a Faeda, após perder a confiança em seu sistema de rastreabilidade. A Chloé foi a única marca a fornecer uma metodologia detalhada de rastreamento de couro à organização britânica. Já a Faeda afirmou que não forneceu couro brasileiro às marcas de moda. Conceria Cristina, por sua vez, não respondeu aos pedidos de comentário dos investigadores.

O que dizem os envolvidos. Apesar de alegarem práticas responsáveis, tanto a Frigol quanto a Durlicouros evitaram responder diretamente sobre como garantem a origem legal do couro. A Frigol afirma seguir um protocolo de monitoramento desenvolvido com o MPF e a ONG Imaflora, garantindo que 100% do gado comprado de fornecedores diretos siga critérios socioambientais. Para fornecedores indiretos de primeiro nível (Tier 1), a empresa usa a ferramenta Visipec, que cobre apenas parte da cadeia, já que o gado no Brasil passa por vários níveis antes de chegar aos frigoríficos.



Fonte: UOL

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