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Como funcionava o esquema do Banco Master, segundo a investigação


O modelo não é ilegal e funciona da seguinte forma: um banco tem uma carteira de crédito consignado (como um empréstimo a uma pessoa física) que rende fluxos mensais. Quando precisa de liquidez, vende o papel a um parceiro. Em troca, recebe um pagamento à vista, mas com deságio. Com a transferência, os “devedores” deixam de pagar o credor original e agora passam a pagar o parceiro.

Contudo, as letras de crédito que o Master era capaz de produzir no varejo circulavam entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões mensais. O banco precisava de muito mais para recuperar sua liquidez.

O arranjo adotado foi adquirir créditos de terceiros e revendê-los. Neste caso, o Banco Central afirma que o Master foi ao mercado e comprou direitos creditórios da Tirreno Consultoria sem coobrigação. Ou seja, se o crédito não performar (se os devedores não pagarem a dívida), o risco é de quem comprou o papel. É uma venda definitiva do ativo. O Master assume o risco e, por isso, paga menos pela letra de crédito.

Mas a autarquia viu indícios de uma atuação de fachada da Tirreno, constituída em novembro de 2024, mesmo mês em que a solvência do Master entrou em colapso. O responsável pela abertura da empresa registrou outras 91 companhias com nomes semelhantes ao original.

No processo, a Tirreno teria transferido operações de crédito consignado de diversas associações de servidores públicos estaduais e municipais ao custo de R$ 4,6 bilhões ao Master. Mas o pagamento estava atrelado à apresentação dos documentos formais da operação de crédito, o que nunca aconteceu. Ou seja, a operação existia apenas contabilmente, sem transferência real de recursos do Master à Tirreno, aponta a investigação.

Em abril de 2025, o Master continuou a adquirir outras operações da Tirreno no valor de R$ 2,3 bilhões, sem de fato pagar estes valores. As mesmas carteiras teriam sido então vendidas ao BRB por R$ 12 bilhões após suposta manipulação da taxa de juros, antes mesmo que os documentos necessários para a formalização de tais operações fossem entregues.



Fonte: UOL

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