
A imagem é forte: celulares filmando lágrimas, flashes entre coroas de flores, vídeos do último adeus circulando como se fossem trailers de um drama.
A morte de Preta Gil, que deveria ser um espaço de silêncio e reverência, foi transformada em conteúdo digital. Mais um espetáculo de dor.
Vivemos a era do cérebro dopaminado — uma mente condicionada a recompensas rápidas: likes, reposts, engajamento. Até o luto virou palco. Até a perda virou métrica.
Mas Preta era o oposto disso.
Ela era calor, presença, riso aberto, abraço demorado.
Uma mulher que criava vínculos reais, não curtidas.
Basta ver a quantidade de depoimentos sinceros e emocionados que surgiram após sua partida.
Ela tocava pessoas. Inteiras.
Era corpo, voz, olho no olho.
Uma alma que fazia morada nos outros — e por isso deixa esse buraco agora.
A neuropsicologia explica: a exposição constante à dor virtual dessensibiliza. As áreas do cérebro ligadas à empatia vão sendo silenciadas. E, sem perceber, nos tornamos espectadores anestesiados da vida e da morte.
O velório de Preta Gil escancarou esse espelho.
Mas talvez também seja convite.
A gente ainda pode escolher:
presenciar ou postar.
Amar ou consumir.
Fonte:www.glp4.com