A carreira de Eliot Tosta ganhou novas camadas quando ultrapassou as fronteiras do Brasil. Hoje vivendo entre Brasil, Portugal e Espanha, o ator construiu uma trajetória marcada pela mobilidade, pelo aprendizado constante e por um mergulho profundo na própria identidade artística. Em entrevista exclusiva ao Site GLP4, ele fala sobre os desafios da internacionalização, as diferenças entre formatos de produção, o impacto do streaming e os caminhos que deseja trilhar nos próximos anos.
Segundo Eliot, a experiência fora do país foi decisiva para transformar não apenas sua carreira, mas sua relação consigo mesmo como artista. “A vivência internacional me trouxe, acima de tudo, mais segurança sobre o meu trabalho e uma confiança muito maior na minha intuição artística”, afirma. Apesar de uma formação sólida no Brasil, com passagens por cursos competitivos, ele sentia que ainda havia algo a ser destravado. “A técnica estava ali, o conhecimento também, mas faltava virar uma chavinha interna que validasse o profissional que eu vinha construindo.”
Esse deslocamento, segundo ele, funcionou como um reencontro. “Imigrar e conseguir realizar artisticamente potencializa forças que você nem sabia que tinha. Estar fora da sua geografia é estar em constante transformação”, diz. Entre testes importantes, convites inesperados e novos encontros criativos, Eliot passou a se enxergar “ator de outro lugar”, com um olhar mais voltado para dentro.

Morando em Madri desde 2019, o ator precisou enfrentar um obstáculo central: o idioma. “Cheguei achando que o espanhol seria simples para atuar, e foi uma decepção”, conta, aos risos. A adaptação veio com estudo formal, trabalho cotidiano e, principalmente, com o teatro. “Quando você ganha vocabulário suficiente para improvisar em outro idioma, a segurança começa a surgir.” A partir daí, vieram novos desafios, como preparar material adequado ao mercado europeu e buscar personagens além dos estereótipos normalmente reservados a atores latino-americanos.
Atualmente no ar na novela portuguesa Terra Forte e na quarta temporada da série Arcanjo Renegado, Eliot aponta diferenças claras entre os formatos. “Na produção seriada, o personagem já chega com um arco bem definido. Você constrói sabendo todo o percurso”, explica. Já na novela, o processo é mais aberto. “O personagem chega com um perfil e, de repente, você não sabe o que vai acontecer. É preciso sustentar o que foi apresentado e estar muito poroso ao que vem.”
Ao analisar o impacto do streaming no audiovisual brasileiro, o ator reconhece avanços importantes. “Surgiram muitas demandas que revelaram grandes talentos e descentralizaram os projetos”, avalia. No entanto, ele alerta para questões estruturais ainda pouco discutidas. “O risco aparece na forma como o trabalho é monetizado. A obra fica disponível no mundo inteiro, mas quem construiu aquilo recebe uma vez só. Essa lógica ainda é muito nebulosa.”
Sobre o reconhecimento internacional do cinema brasileiro, Eliot prefere relativizar a ideia de valorização. “Talvez ainda seja uma palavra forte demais. O que eu sinto é curiosidade”, diz. Para ele, o mercado externo se interessa pelo “molho”, pelo carisma e pela potência cultural do Brasil. Ainda assim, reforça a necessidade de reconhecimento interno. “Precisamos ser valorizados dentro de casa. Infelizmente, muita gente só passa a valorizar o que é nosso quando vê reconhecimento vindo de fora.”
Além da atuação, Eliot também trabalha como agente artístico e produtor, funções que pretende integrar cada vez mais. “Quero tirar do papel projetos audiovisuais onde coexistam o Eliot ator e o Eliot agente”, afirma. A formação como showrunner pela RTVE, na Espanha, abriu novas possibilidades. “É uma função que une criação, visão de conjunto e responsabilidade artística. Isso conversa muito com tudo que construí até aqui.”
Fonte:www.glp4.com