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Engenheira Camila Santos reflete sobre desigualdade e o papel do Dia da Mulher na transformação social



A engenheira de produção Camila Santos acredita que o Dia Internacional da Mulher precisa provocar reflexões mais profundas sobre as estruturas que organizam a sociedade. Para ela, a data vai além da celebração de conquistas ou da busca por mais espaço em posições de poder.

Segundo a engenheira, o 8 de março também deve estimular uma análise mais honesta sobre quem sustenta a vida cotidiana. Em meio a debates sobre violência, feminicídio e desigualdades persistentes, a data chama atenção para uma divisão estrutural ainda presente.

“O Dia Internacional da Mulher é uma oportunidade para ampliar a pergunta que fazemos sobre o próprio funcionamento da sociedade. Não se trata apenas de celebrar conquistas ou reivindicar espaço, mas de olhar com honestidade para quem sustenta a vida cotidiana do mundo”, afirma.

A pesquisadora observa que grande parte da organização social ainda concentra poder e tomada de decisão em determinados espaços, enquanto outras esferas permanecem responsáveis por tarefas fundamentais para a manutenção da vida.

“Enquanto alguns lugares concentram poder e decisão, outros concentram o trabalho de sustentar a vida: cuidar, educar, alimentar e manter comunidades vivas.”

Como mulher negra e periférica, ela destaca que muitas dessas funções continuam sendo desempenhadas diariamente por mulheres que sustentam famílias, territórios e redes comunitárias.

“São mulheres que mantêm a vida funcionando mesmo quando as estruturas falham. O desafio do nosso tempo é tornar visível essa base invisível da sociedade e reorganizar nossas instituições para que o cuidado, a dignidade e a vida estejam no centro das decisões.”

Para a engenheira, o 8 de março também convida a sociedade a refletir sobre o modelo de futuro que está sendo construído. “O Dia da Mulher nos chama a repensar o tipo de civilização que estamos construindo.”

Ao falar sobre o que a impulsiona diariamente, a pesquisadora aponta a própria história e o exemplo de mulheres que sustentam comunidades mesmo em contextos adversos.

“A consciência de que a vida sempre encontrou formas de continuar, mesmo em contextos difíceis, é uma grande fonte de força. Cresci observando mulheres que sustentam famílias, territórios e afetos com uma força silenciosa e cotidiana.”

Essa experiência também influencia sua atuação profissional e acadêmica. Como pesquisadora da reprodução social, ela busca compreender e dar visibilidade às formas de organização coletiva que mantêm a sociedade funcionando.

“Procuro olhar para aquilo que sempre esteve presente nos territórios: as formas de organização, de cuidado e de inteligência comunitária que sustentam a vida. Saber que esse conhecimento precisa ganhar linguagem e reconhecimento público é o que me move.”

Ao definir o significado de ser mulher, a engenheira sintetiza sua visão em uma frase direta: “Ser mulher é ser infraestrutura da vida.”

Para ela, reconhecer essa dimensão não é apenas uma afirmação identitária, mas uma forma de compreender uma das bases reais que sustentam relações sociais, economias e futuros.





Fonte:www.glp4.com

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