A atriz baiana Fabiana Mattedi estreia no dia 15 de novembro, no The Tank, em Nova York, o monólogo “Notes on Collagen: Notas sobre Colágeno” um relato divertido e sensível sobre beleza, envelhecimento e identidade. Em entrevista exclusiva ao site GLP4, ela falou sobre o processo de criação, as vivências como imigrante e o poder do humor para tratar de temas delicados.
O que te inspirou a escrever “Notes on Collagen” e transformar essa reflexão em um monólogo solo?
“As coisas foram acontecendo de forma muito natural. Sempre gostei de escrever sobre o meu cotidiano e sou bastante reflexiva nas minhas observações. Depois de ouvir uma conversa no metrô aqui em Nova York, comecei a escrever um texto que, aos poucos, foi ganhando contornos de solo. Nele, mergulhei em um tema que também estava borbulhando dentro de mim: o envelhecimento e a forma como nos tornamos marionetes de uma indústria da beleza e de seus padrões.”
Como tem sido o processo de viver a experiência de envelhecimento e identidade em cena, especialmente em um país como os Estados Unidos?
“O envelhecimento é um processo democrático todos passamos por ele. Mas a forma como isso acontece varia de acordo com o contexto social, econômico e cultural de cada pessoa. Talvez envelhecer na Bahia fosse mais fácil em certos aspectos, por estar cercada das minhas referências, da minha língua e de uma cultura que me é familiar. Vivendo hoje nos Estados Unidos como imigrante, percebo que essa experiência ganha novas camadas. Em Notes on Collagen, trago para o palco essa reflexão sobre o envelhecer longe das minhas raízes e sobre como a sociedade continua nos medindo por padrões de juventude e aparência.”

Você tem uma trajetória marcada por trabalhos no Brasil e na Austrália. De que forma essas experiências influenciam a artista que você é hoje?
“Acredito que tudo o que vivemos nos influencia, consciente ou inconscientemente. Somos fruto desse acúmulo de vivências, e a forma como traduzo isso no meu trabalho artístico é como um repertório em constante construção. Ficam as experiências que mais me marcaram, aquilo que quero imprimir no mundo. Quanto mais diversidade temos nas nossas vivências, mais ferramentas ganhamos para ler o mundo e, consequentemente, para nos expressar através da arte.”
O humor é um elemento forte do espetáculo. Como ele te ajuda a abordar temas delicados como o etarismo e a busca pela beleza?
“O humor é o meu leme, o meu filtro para enxergar o mundo. Talvez até um mecanismo compensatório para lidar com questões que, sem ele, seriam mais duras e difíceis de encarar. Mas acredito também na função ancestral da comédia a de fazer rir para poder refletir. A comédia tem essa capacidade de dar profundidade a temas que, à primeira vista, parecem apenas estar na superfície. Em Notes on Collagen, o humor me permite tocar em temas como envelhecimento, vaidade e padrões de beleza sem perder a leveza, mas também buscando a profundidade que o assunto desperta.”
Após essa estreia em Nova York, quais são seus próximos passos e projetos?
“O solo acaba de ser aceito para o Festival Fringe de Nova York de 2026 um dos mais importantes festivais de teatro independente dos Estados Unidos, reconhecido por revelar novos talentos e valorizar a diversidade artística. Esse passo já é um grande impulso para os próximos caminhos do projeto. Também estou desenvolvendo um livro e outros trabalhos autorais que em breve pretendo colocar em movimento.”

Graduada em Artes Cênicas pela Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia e pela Actors College for Theatre and Television, na Austrália, Fabiana iniciou a carreira em 1999 e já integrou produções no Brasil, na Austrália e nos Estados Unidos. Em Nova York, participou da montagem Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, e do espetáculo Dentro do Coração Selvagem, do Group.BR, além de ter sido indicada ao Brazilian International Press Awards.
Com “Notes on Collagen”, Fabiana Mattedi reafirma sua voz autoral e bem-humorada, convidando o público a rir, refletir e abraçar o tempo dentro e fora do palco.
Fonte:www.glp4.com