Fátima Pissarra é um nome que se confunde com a própria história da internet no Brasil. Presente desde os primeiros passos da rede nos anos 1990, ela transformou curiosidade em um império de entretenimento e influência. Hoje, à frente da Mynd, a executiva não apenas gerencia carreiras de grandes artistas, como também dita o ritmo de como marcas e criadores de conteúdo se conectam com o público.
Em entrevista exclusiva ao Site GLP4, Fátima reflete sobre os desafios de escalar um negócio sem perder a essência humana e compartilha aprendizados que ajudam a entender o futuro da comunicação digital e da economia dos creators.
“O que me trouxe até aqui foi a soma de escolhas com a convicção de que o futuro da comunicação seria cada vez mais humano, diverso e conectado à cultura.”
Desde o início da sua trajetória, a curiosidade foi o principal motor de evolução. Enquanto o mercado ainda olhava para o digital com desconfiança, Fátima já enxergava na tecnologia uma ferramenta poderosa de conexão. O uso do e-mail para se comunicar com o irmão que morava no exterior, ainda nos anos 1990, foi um dos primeiros sinais de que novas formas de impacto estavam surgindo.

“Nunca segui um plano rígido. Sempre acreditei na capacidade de aprender rápido, observar movimentos e agir antes que o mercado tivesse todas as respostas.”
Ao longo de décadas construindo carreiras artísticas, Fátima desenvolveu um estilo de liderança que equilibra firmeza estratégica e empatia. Para ela, liderar pessoas exige sensibilidade para entender que, por trás de métricas e resultados, existem sonhos, inseguranças e identidades que precisam ser respeitadas.
“Liderar não é impor caminhos, é criar condições para que cada pessoa consiga expressar o seu melhor.”
Essa visão foi levada para a gestão da Mynd. Com o crescimento acelerado da empresa, o desafio passou a ser estruturar um ecossistema multidisciplinar sem perder agilidade, proximidade e confiança com os talentos que deram origem ao negócio.
“Escalar uma empresa não pode significar perder a relação humana. Processos são importantes, mas confiança é o que sustenta tudo.”
Um dos principais focos atuais de Fátima é a profissionalização dos criadores de conteúdo. Por meio do método “Profissão Creator”, ela defende que o mercado precisa deixar para trás a obsessão pela viralização e apostar em carreiras construídas com consistência e autoridade.
“Viralizar não é estratégia. O que constrói uma carreira é a recorrência de valor e a troca real com a comunidade.”
Para quem deseja começar no mercado de creators, a executiva destaca que o primeiro passo é identificar em qual assunto as pessoas já reconhecem sua autoridade. A escolha do nicho, segundo ela, precisa unir propósito e viabilidade, e o crescimento deve ser sustentado por disciplina e clareza de posicionamento.
“Um bom nicho não é apenas uma tendência. É o lugar onde propósito e viabilidade financeira se encontram.”
Fátima também reforça que o influenciador precisa se posicionar como empresa. Isso inclui responsabilidade na entrega, compreensão estratégica dos briefings e uma precificação coerente com o valor gerado para as marcas.
“O mercado só leva a sério quem se comporta como profissional. Marcas buscam parceiros estratégicos, não apenas alcance.”
Ao final, a fundadora da Mynd resume sua visão sobre o digital: mais do que tecnologia, trata-se de relações humanas. Seja na liderança de equipes ou na criação de conteúdo, a relevância de longo prazo nasce da verdade, do alinhamento com a cultura e da coerência entre discurso e prática.
“No digital, assim como na liderança, são as relações humanas que sustentam tudo.”
Fonte:www.glp4.com