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Golpe do amor: estelionatos sentimentais – 06/01/2026 – Mariliz Pereira Jorge


Uma mulher estaciona perto do aeroporto de Erechim, na véspera de Natal, à espera de Brad Pitt. Diz que o ator viria para se casar e morar com ela em São Valentim (RS). O vídeo virou meme, mas, dias depois, a “noiva” foi à polícia dizer que tudo teria sido uma encenação em família. Mesmo com a reviravolta, é um lembrete de que estelionatos sentimentais têm feito muito estrago no mundo e as vítimas são maiores de idade, vacinados, com boleto no débito automático.

Debatemos (com razão) o impacto das redes sobre crianças e adolescentes. Mas há um grupo enorme, pouco lembrado e muito vulnerável: os mais velhos. Não por “inocência”, e sim por uma combinação de inabilidade digital, solidão e golpes cada vez mais profissionais.

Pesquisa do DataSenado estima que 24% dos brasileiros com 16 anos ou mais perderam dinheiro em crimes digitais no último ano: 41,6 milhões de pessoas. Entre as vítimas, 6,8 milhões têm 60 anos ou mais. Em 2023, o centro de denúncias de crimes cibernéticos do FBI registrou perdas de US$ 357 milhões em fraudes afetivas contra pessoas 60+. No Reino Unido, vítimas entre 50 e 59 anos perderam cerca de US$ 150 milhões, no ano fiscal de 2024/2025.

O “golpe do amor” é a versão mais cruel porque rouba duas vezes: o dinheiro e a dignidade. A Polícia Civil do RS diz que idosos são o principal alvo nos casos atendidos: golpistas podem ser um “soldado americano”, um “artista famoso”, um “viúvo carinhoso”, e pedem valores para “vir ao Brasil”, “liberar herança”, “pagar segurança”.

Não faltam exemplos para além de Brad Pitt. Em São Paulo, uma corretora transferiu R$ 100 mil para um falso Keanu Reeves, manipulada em sua carência e com a promessa de uma visita. Em Brasília, uma aposentada acreditou falar com Leonardo DiCaprio e fez uma “doação” para um projeto fictício. É fácil fazer piada sobre o constrangimento alheio, difícil e necessário é política de proteção, com letramento digital para idosos, conversa sem humilhação dentro das famílias. A solidão não pode virar oportunidade de negócio para bandido.

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Fonte:UOL

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