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Gustavo Waz mergulha em personagem mais intenso da carreira em “Dibuk” e fala sobre amadurecimento no teatro musical



Depois de integrar grandes produções do teatro musical brasileiro, como “O Rei Leão” e “Elvis – A Musical Revolution”, Gustavo Waz encara agora um dos momentos mais desafiadores de sua trajetória artística. Em cartaz em São Paulo com o musical “Dibuk”, o ator vive Menashe, personagem que o levou para um território até então pouco explorado em sua carreira: o da vulnerabilidade extrema, dos conflitos emocionais intensos e da entrega absoluta em cena.

A mudança de registro não é pequena. Conhecido por trabalhos ligados ao entretenimento familiar e personagens mais leves, Gustavo agora se vê diante de uma narrativa marcada por religiosidade, sexualidade, humor ácido e elementos sobrenaturais, em uma obra que desafia convenções do teatro musical brasileiro. Para ele, o impacto começou ainda nos testes.

“Eu não conhecia a história antes, mas ao longo dos testes fui vendo os artistas incríveis que estavam envolvidos e entendi que seria um trabalho especial”, conta o ator. O encantamento, no entanto, rapidamente deu lugar ao desafio. Segundo Gustavo, compreender os contrastes internos de Menashe foi um dos pontos mais complexos da preparação.

“O meu maior choque foi o contraste de um personagem religioso e ingênuo abordando temas tão polêmicos como sexualidade e a iniciação sexual de um jovem”, explica. “É difícil encontrar obras que tenham ousadia para falar de temas arriscados, e como ator precisei ter muita entrega e respeito para encontrar o tom exato das cenas, que hoje são as mais elogiadas da peça.”

Mais do que um novo personagem, “Dibuk” acabou se tornando também um retrato do momento artístico vivido por Gustavo. O ator acredita que a construção emocional de Menashe só foi possível graças às experiências acumuladas em trabalhos anteriores, mesmo aqueles aparentemente distantes do universo sombrio da montagem.

“Sinto que pude amadurecer muito com as diferentes linhas de trabalho e hoje isso me permite mesclar linguagens e criar algo mais profundo”, afirma. “A atuação do Menashe jamais existiria sem o humor do Ed e do Timão em ‘O Rei Leão’, ou sem a relação de mãe e filho que existia em ‘Elvis’. Acho que tudo o que fiz até agora contribuiu de alguma forma para as camadas que posso apresentar ao público nessa montagem.”

Se existe uma palavra capaz de definir a experiência em “Dibuk”, para Gustavo, ela é vulnerabilidade. Pela primeira vez, ele interpreta um personagem que transita de forma tão radical entre extremos emocionais, saindo da comédia para o drama em uma intensidade pouco comum dentro do teatro musical.

“O Menashe faz eu me sentir vulnerável em absolutamente todas as cenas, e acho que não existe nada mais íntimo que isso”, revela. “Me sinto muito orgulhoso de poder surpreender a plateia com uma atuação mais madura e complexa, que também é resultado de quem eu sou hoje.”

Segundo o ator, essa entrega emocional é indispensável para estabelecer uma conexão verdadeira com quem está assistindo. “Esse é o primeiro personagem que faço que vai do extremo da comédia ao extremo do drama. Ele exige essa versatilidade, e eu preciso estar completamente entregue à história para que o público sinta vontade de se entregar também.”

Além do trabalho nos palcos, Gustavo também tem construído uma presença cada vez mais próxima do público nas redes sociais, onde compartilha bastidores da profissão, preparação para espetáculos e os desafios da carreira artística. Para ele, a internet cumpre um papel importante ao aproximar o teatro de quem ainda não frequenta esse universo.

“Acredito muito que o que acontece no palco precisa conversar com o cotidiano das pessoas. As redes possibilitam que a gente democratize esse acesso ao que acontece nos palcos, até mesmo para quem nunca foi a um teatro”, explica.

Mais do que mostrar os bastidores glamourosos da profissão, Gustavo diz que gosta de revelar o lado menos conhecido da carreira. “Existe um lado quase supersticioso que o público não conhece: a preparação até chegar ao palco, os desafios e as conquistas da carreira, tudo sobre como realmente é viver de arte no Brasil.”

Natural de uma cidade pequena, ele também vê nas redes uma forma de incentivar quem sonha em seguir carreira artística. “Isso permite que artistas que, assim como eu, nasceram em cidades muito pequenas possam se inspirar de alguma forma e não desistir da jornada de ser artista.”

Ao olhar para o cenário atual do teatro musical brasileiro, Gustavo demonstra entusiasmo, mas também faz uma reflexão sobre a necessidade de ampliar o espaço para narrativas nacionais e produções mais ousadas. Segundo ele, o público já está mais aberto a novas experiências e reconhecendo a potência dos artistas brasileiros.

“Cada vez mais o público tem percebido que o mercado brasileiro tem artistas incrivelmente capacitados para apresentar obras com níveis igualados aos da Broadway”, analisa.

Ao mesmo tempo, ele acredita que o setor ainda vive uma forte dependência de títulos internacionais já conhecidos. “Sinto que ainda somos muito reféns de obras importadas com títulos famosos. É totalmente compreensível, porque o mercado aqui ainda é muito novo comparado a outros países, mas é esperançoso ver novos incentivos culturais surgindo para apoiar criações feitas por brasileiros, com uma linguagem que converse com quem somos e com o que queremos assistir.”

Pensando no futuro, Gustavo afirma que quer seguir buscando personagens capazes de provocar emoções reais no público. “Gosto de mirar em personagens que toquem de alguma forma quem está assistindo. Acredito muito em como a arte pode inspirar as pessoas a serem melhores, então, se conseguir personagens que conversem com isso, vou estar bem feliz.”





Fonte:www.glp4.com

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