PUBLICIDADE

Habeas corpus negado: Justiça mantém empresário preso por morte de gari em BH

Imagem gerada com IA
Imagem gerada com IA

A Justiça de Minas Gerais negou, nesta quinta-feira (8), o pedido de habeas corpus para Renê da Silva Nogueira Júnior, empresário acusado de um crime de grande repercussão em Belo Horizonte. A decisão, proferida pela 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJMG), mantém a prisão preventiva do réu, que é apontado como responsável pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes após uma discussão de trânsito. O caso, que chocou a capital mineira, segue sob análise judicial, com a defesa buscando a liberdade do acusado.

habeas: cenário e impactos

Justiça mantém prisão preventiva de empresário em caso de gari

A defesa de Renê da Silva Nogueira Júnior argumentou que a prisão preventiva não possuía justificativa legal e solicitou sua revogação ou substituição por medidas cautelares alternativas. Contudo, o desembargador Maurício Pinto Ferreira, relator do caso, considerou que a gravidade do crime, sua ampla repercussão social e a ausência de condições pessoais favoráveis ao réu justificam a manutenção da custódia. Os desembargadores Henrique Abi-Ackel Torres e Âmalin Aziz Sant’Ana acompanharam o voto do relator, consolidando a decisão.

A briga de trânsito que resultou em tragédia

O incidente que levou à morte de Laudemir de Souza Fernandes ocorreu em Belo Horizonte, após uma discussão de trânsito envolvendo Renê de Souza Júnior, de 47 anos, que dirigia um carro modelo BYD. O empresário alegou que o caminhão de lixo, onde Laudemir trabalhava, estava “atrapalhando a passagem”. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o agressor chegou ao local e atingiu o trabalhador.

Testemunhas relataram à polícia que Renê Júnior, irritado com o veículo da coleta de lixo, inicialmente ameaçou a motorista do caminhão com uma arma, proferindo a frase “atirarei na sua cara”. Quando os garis intervieram em uma tentativa de acalmar a situação, o empresário desceu de seu carro e efetuou o disparo que atingiu Laudemir no tórax. A vítima foi socorrida e encaminhada ao Hospital Santa Rita, mas não resistiu aos ferimentos.

Histórico de Renê Júnior: antecedentes criminais preocupantes

Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou ter atirado contra o gari, permanece detido no presídio de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ele é natural do Rio de Janeiro e possui um histórico de crimes que inclui homicídio culposo, lesão corporal, extorsão e perseguição.

Registros judiciais apontam que, em 2011, Renê foi condenado por homicídio culposo após um acidente de trânsito no bairro Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele dirigia em alta velocidade e atropelou uma mulher de 50 anos, que faleceu em decorrência dos ferimentos. O caso, embora registrado como acidente, resultou em sua condenação. Além disso, em 2003, ele foi preso por violência doméstica no RJ, após agredir a ex-esposa com vassouradas durante uma discussão em Belford Roxo. O empresário admitiu as agressões, justificando-as como perda de controle emocional. Há também registros de crimes de extorsão e perseguição cometidos tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo.

A arma do crime e o indiciamento da delegada

A arma utilizada no assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes foi apreendida pela perícia e, conforme depoimento de Renê Júnior, pertencia à sua esposa, a delegada Ana Paula Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais. Em desdobramento do caso, a corregedoria da Polícia Civil indiciou a delegada por prevaricação, levantando questões sobre a responsabilidade e o manuseio da arma de fogo.

Os últimos passos antes da prisão

Antes de sua prisão, Renê Júnior relatou ter seguido sua rotina habitual. Ele saiu de sua residência em Nova Lima às 8h07, com destino ao trabalho em Betim, na Grande BH, onde atua como diretor de uma empresa de alimentos saudáveis. Após o expediente, almoçou, passeou com seus cachorros e, por volta das 16h, dirigiu-se a uma academia de alto padrão no bairro Estoril, na capital, onde foi detido pelas autoridades.

Leia mais