
Arduíno é movido por ressentimento, e Irandhir entende isso desde o primeiro olhar. A tensão que ele carrega nos ombros está sempre ali, mesmo quando o personagem tenta disfarçar. Há uma violência contida que paira em cena sempre que ele aparece. E o público percebe: algo vai acontecer. Nem sempre no roteiro, mas na forma como o ator ocupa o espaço.
Na sequência da emboscada contra o próprio bando, Irandhir não precisa explicar nada. O gesto é direto, o olhar é firme, e a brutalidade fala por si. Essa escolha de não suavizar nem justificar torna o personagem ainda mais cruel e, ao mesmo tempo, muito humano.
A força de sua atuação está nos detalhes. No ritmo com que fala, na maneira como encara os outros personagens, no silêncio cheio de coisa entalada. Arduíno não é só o traidor. Ele é o que ficou. O que viu tudo se desfazer e decidiu reagir com raiva. Irandhir faz isso sem apelar para fórmulas. Ele entrega verdade.
Por esse trabalho que incomoda, que marca, que segura a trama nas costas quando precisa, o GLP4 dá a ele o que é justo: Nota 10.
Fonte:www.glp4.com