Isabelle Drummond cresceu sob os olhos do público, mas foi ao se afastar do ritmo intenso das novelas que encontrou um novo ponto de equilíbrio entre maturidade artística e liberdade criativa. De volta à televisão em Coração Acelerado, a atriz vive um momento de escolhas mais conscientes, guiadas menos pela urgência da exposição e mais pela escuta atenta do processo e das histórias que deseja contar.
“Hoje eu me sinto mais consciente das minhas escolhas porque tudo o que eu vivi no set ao longo da vida se transformou em experiência”, afirma Isabelle, em entrevista exclusiva ao Site GLP4. “Dirigir me deu um olhar mais amplo para o processo, para o ritmo da cena e para o coletivo. Isso muda completamente a forma como eu construo um personagem.”
Essa nova postura se reflete diretamente em Naiane, sua personagem na novela. Ambiciosa, intensa e movida pelo desejo de ser vista, ela foge do óbvio e exige da atriz uma preparação minuciosa. Isabelle mergulhou em referências comportamentais, observou influenciadoras e se aprofundou no universo sertanejo, com seus códigos próprios de linguagem, moda e atitude. “A Naiane exigiu uma pesquisa muito sensível. Além das referências externas, mergulhei nas emoções dela, na ambição, no desejo, nessa vontade constante de reconhecimento”, explica. “Ela é expansiva, competitiva, territorialista e tem uma autoestima muito elevada.”
Mesmo com atitudes questionáveis, a personagem encontra eco no público justamente por tocar em sentimentos universais. “Todo mundo já quis algo com muita força, já teve medo de perder oportunidades ou de ficar para trás”, diz Isabelle. Ainda assim, ela não romantiza os caminhos da personagem. “Ela erra, toma decisões difíceis e, no final das contas, é a vilã da história.”

Ao longo das gravações, a atriz percebeu nuances que não estavam previstas inicialmente. Em cenas mais íntimas, especialmente nos embates emocionais, surgiu uma fragilidade inesperada. “A novela é viva. Em alguns momentos, fui enxergando uma vulnerabilidade da Naiane que não estava tão clara no início. Essas descobertas no set são uma das coisas que mais me encantam na televisão.”
Paralelamente ao trabalho na dramaturgia, Isabelle também vem investindo em projetos autorais. Ela acaba de lançar uma série de curtas criados especialmente para as redes sociais, idealizados por ela em parceria com a diretora Denise Saraceni. O primeiro episódio traz um encontro marcante com Vera Holtz e simboliza um momento importante de liberdade criativa. “É um encontro entre eu, Denise e Vera, duas mulheres que eu admiro muito. Um encontro geracional”, afirma. “É uma forma livre de expressão, misturando audiovisual, poesia, literatura e artes plásticas.”

Baseado em um poema, o curta propõe uma atuação menos literal e mais aberta a interpretações. “É um texto subjetivo, simbólico, que não necessariamente está dentro de um contexto narrativo tradicional”, explica Isabelle. “Tentamos transformar isso em um diálogo cênico, quase dramatúrgico.”
Entre a intensidade da novela e a delicadeza do experimental, Isabelle Drummond atravessa uma fase marcada por autonomia, escuta e aprofundamento. Ela se permite escolher com calma, criar sem pressa e ocupar novos espaços com a segurança de quem entende, hoje, exatamente onde quer estar.
Fonte:www.glp4.com