
Nos anos 80, a energia pulsava em cores vibrantes, a música nos embalava, a moda ousava e os sonhos pareciam ao alcance dos dedos. Era uma época de transformações, onde o mundo ansiava por avanços enquanto o conservadorismo tentava frear o progresso. É nesse cenário eletrizante que o filme “Uma Praia em Nossas Vidas”, dirigido por Guto Arruda Botelho, ganha vida, e é nesse mesmo universo que a talentosa Jacqueline Sato se reconecta consigo mesma.
Após sua atuação marcante como Yuki em “Volta por Cima” (2024), na Rede Globo, e com passagens notáveis por “Além do Horizonte”, “Sol Nascente” e “Orgulho e Paixão”, Jacqueline surge no longa-metragem como Fernanda, uma personagem que promete encantar e inspirar.
Para a atriz, o convite para integrar o projeto foi como “um reencontro comigo mesma”, descrevendo o filme como “uma obra sensível, com alma”, que vai ao encontro do seu desejo de retornar ao cinema com personagens que desafiam os padrões e fogem dos estereótipos. O roteiro a conquistou por abordar temas como “relações familiares, o contraste entre gerações, o embate entre o conservadorismo e a liberdade”, questões que ecoam tanto em sua trajetória pessoal quanto na essência do filme.
Apesar de ter nascido em 1988, nos últimos momentos da década, Jacqueline reconhece a força da estética oitentista, que a influenciou mesmo sem ter vivenciado a época: “É um período que deixou marcas profundas, mesmo para quem não o viveu, não é? Na moda, na música e nos filmes, os anos 80 geraram um impacto enorme.” Para construir sua personagem, a referência foi imediata: “Logo na caracterização, nossa musa inspiradora foi a Madonna, com seu jeito único, irreverente, nada óbvio e divertido. Desde o lenço amarrado no cabelo até a música que eu ouvia no set, ela estava sempre presente.” E entre as canções, uma em especial se tornou um mantra emocional durante o processo: “Além da clássica “Glory Box”, do Portishead, que eu ouvi inúmeras vezes.”
Na ausência de memórias pessoais da época, Jacqueline se dedicou a uma pesquisa minuciosa, buscando inspiração em conversas, imagens e referências visuais: “Como não tenho tantas lembranças dos anos 80, mergulhei nas conversas com o diretor, nos moodboards do filme, assisti a outros filmes da época e revisitei álbuns de família. Tudo isso me ajudou a me aproximar da atmosfera daquele tempo.” A atriz ressalta a importância da liberdade criativa concedida por Guto Arruda Botelho: “A abertura do Guto e a identificação dele com a história foram fundamentais. Nossas conversas foram um presente nessa jornada.”
Ao ser questionada sobre as referências explícitas aos anos 80, Jacqueline não hesita: “Madonna, com certeza!” E explica: “Seu jeito irreverente, provocativo e, ao mesmo tempo, com um toque de inocência e muita liberdade, foi essencial.” Incorporar essas características à personagem foi uma experiência enriquecedora: “Tentei trazer esses elementos para a Fernanda e posso dizer que me diverti muito durante o processo. E isso é sempre um ótimo sinal! (risos)”
Liberdade e Resistência
O espírito livre de Fernanda encontra no filme seu contraponto: o embate entre uma sociedade conservadora e os ventos de mudança que começavam a soprar. Jacqueline enxerga sua personagem como a personificação dessa força transformadora: “O filme exala esse contraste a todo momento, e a Fernanda é esse sopro de liberdade, uma mulher independente, em uma boa posição social e econômica, o que, infelizmente, sabemos que era e ainda é a minoria.” A atriz reconhece que mulheres como Fernanda ainda causam desconforto: “Sei que, até hoje, mulheres como ela geram controvérsias e incômodo, afinal, o conservadorismo ainda existe, mesmo que de forma diferente daquela época.”
Para Jacqueline, interpretar Fernanda ganhou um significado político e afetivo, e ela conclui com uma reflexão: “Mulheres assim, marcando presença na vida real e na ficção, são sempre um ato de resistência importante.”
Fonte:www.glp4.com