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Lindomar Castilho “Rei do Bolero” se foi, legado manchado e luta por justiça



O mundo da música se despede de Lindomar Castilho, o icônico “Rei do Bolero”, que faleceu neste sábado, 20 de dezembro de 2025, aos 85 anos, em Goiânia. A notícia, confirmada por sua filha, Lili de Grammont, traz à tona não apenas a lembrança de um artista que embalou a década de 1970, mas também a sombra de um crime que marcou para sempre a sua história e a do Brasil.

A Tragédia no Café Belle Époque

Na noite de 30 de março de 1981, o Café Belle Époque, em São Paulo, foi palco de um crime brutal. Lindomar invadiu o local onde sua ex-mulher, a cantora Eliane de Grammont, se apresentava, e, movido por um ciúme devastador, tirou a vida dela com cinco tiros. O violonista Carlos Randall, que acompanhava Eliane e era primo de Lindomar, também foi baleado.

O casal estava separado havia cerca de um ano, e relatos da época indicam um relacionamento marcado por abusos e pela tentativa de Lindomar de impedir o avanço da carreira artística de Eliane. Uma história que, infelizmente,ecoa em muitos lares até hoje.

O julgamento de Lindomar Castilho se tornou um divisor de águas no sistema jurídico brasileiro. A defesa tentou, sem sucesso, utilizar a tese da “legítima defesa da honra”, um argumento que, felizmente, foi declarado inconstitucional pelo STF. Lindomar foi condenado a 12 anos e dois meses de prisão, cumprindo parte da pena em regime fechado no Carandiru e o restante em regime semiaberto em Goiás, até obter a liberdade total em 1996.

O legado de Eliane de Grammont

A morte de Eliane de Grammont não foi em vão. O crime impulsionou movimentos feministas, que, sob o lema “quem ama não mata”, lutaram por justiça e igualdade. O caso foi crucial para a criação da primeira Delegacia da Mulher no Brasil, em 1985, e para o avanço no debate sobre a violência doméstica. Hoje, uma instituição em São Paulo leva o nome da cantora, oferecendo apoio a mulheres vítimas de violência.

Após sair da prisão, Lindomar tentou retomar a carreira musical, chegando a lançar um álbum ao vivo nos anos 2000. No entanto, nunca recuperou o prestígio de outrora. Nos últimos anos, vivia recluso em Goiânia, lutando contra problemas de saúde, incluindo o Mal de Parkinson.

Em uma nota emocionante nas redes sociais, Lili de Grammont expressou a dor da perda e o impacto do crime em sua família:

ao tirar a vida da minha mãe também morreu em vida. o homem que mata também morre. morre o pai e nasce um assassino, morre uma família inteira.” – desabafou Lili de Grammont.

A história de Lindomar Castilho é um lembrete sombrio de que o sucesso e o talento não podem apagar a responsabilidade por atos de violência. Que a memória de Eliane de Grammont continue a inspirar a luta por um mundo mais justo e igualitário para todas as mulheres.



Fonte:www.glp4.com

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