Trata-se, se confirmado, de movimento mais ou menos típico de períodos eleitorais. Nos últimos 20 anos, o padrão da atuação do Copom mostra encerramento de ciclos de alta dos juros básicos, ou pelo menos estancamento de trajetórias de alta, em anos eleitorais ou às vésperas de eleições.
Decisões do tipo ocorreram em 2002, 2010, 2014 e 2022. Mesmo em 2006, primeira reeleição de Lula, num ambiente econômico favorável, o Copom aproveitou para derrubar forte a Selic, que saiu de 19,75% em setembro de 2005, para 13,25% no fim do ano.
Semelhanças entre 2022 e 2026
Caso interessante foi o de 2022, ano em que Jair Bolsonaro disputou a reeleição com Lula. Depois de levar a taxa básica à posição histórica mais baixa, fixando a Selic em 2% ao ano, em março de 2021, em reação ao colapso econômico causado pela pandemia de Covid, o Copom iniciou um forte ciclo de altas ao longo do ano eleitoral.
A retomada das altas levou a Selic a escalar até 13,75%, mas estancou em agosto de 2022, às vésperas do pleito. A freada na Selic se deu com a inflação ainda acima do centro da meta e mesmo do teto do intervalo de tolerância. Em 2022, a inflação bateu 5,8%, para um centro de meta de 3% e teto de 4,5%.
Há semelhanças entre o comportamento do Copom em 2022 e o que ele indica seguir em 2026. Uma delas é a de que as decisões do colegiado estão blindadas pela autonomia formal do BC, obtida em 2021. Eleito, Lula teve de lidar com um presidente do BC — e maioria de membros do Copom — escolhidos no governo anterior e detentores de mandatos fixos. Viveu às turras com o presidente Roberto Campos Neto, que manteve os juros Selic até fim de 2022 e depois, sob pressão de Lula, fez cortes até os juros descerem a 10,5%, em maio de 2024, ao longo de sete reuniões do Copom
Fonte: UOL