A cantora Mônica Casagrande transforma corpo, voz e renascimento em um ritual musical e audiovisual em “Corpo Coral”, seu quinto trabalho de estúdio. Construído a partir de canções eternizadas por mulheres, o projeto nasce como uma homenagem à presença feminina na música, mas também como um reflexo pessoal do momento de transformação vivido pela artista.
“Eu já venho buscando trabalhar mais com mulheres, estar mais envolvida na pauta feminina já tem um tempo, mas nesse trabalho especificamente, eu acho que foi onde eu quis trazer de verdade”, explica. “Então, acho que a questão de apoiar as mulheres na música, sendo como homenagem ou também envolvendo-as no projeto, para mim é uma coisa que faz muito sentido e cada vez mais eu quero fazer.”
Mais do que um disco de releituras, “Corpo Coral” se organiza como uma narrativa sobre mudança, liberdade e renascimento. O próprio título carrega múltiplos significados, conectando corpo físico, coral de vozes e a imagem simbólica da cobra coral como representação de transformação. “Para mim tem a ver um momento de transformação que eu também estou passando”, afirma a cantora.
Essa ideia levou o projeto naturalmente para o audiovisual. Para Mônica, não fazia sentido limitar “Corpo Coral” apenas ao áudio. “Por ser corpo coral, não dava para ser só áudio. Eu acho que ter o audiovisual era algo muito importante, principalmente porque eu queria também que as pessoas vissem a homenagem”, conta. “Então, a ideia não era fazer um cosplay, mas sim uma homenagem à aquelas cantoras.”

O repertório foi construído de forma afetiva e coletiva, misturando referências pessoais, memórias e contribuições de amigas próximas. Algumas escolhas, segundo ela, eram indispensáveis desde o início. “Fullgás, não tinha como não ter para mim. Tinha que ter, porque Marina Lima representa tanto para mim como cantora, como mulher compositora e toda a atitude que ela traz para e música”, relembra.
Ao longo das nove faixas, o álbum percorre diferentes estados emocionais. Para a artista, a construção do disco dialoga diretamente com os ciclos femininos e com a constante transformação vivida pelas mulheres. “Então é quase como se você fosse pegar esse ciclo feminino para uma vida inteira e tentar colocar num disco.”
Musicalmente, “Corpo Coral” atravessa jazz, blues, soul, MPB e pop sem perder unidade. Segundo Mônica, o jazz funciona como elo entre todas as canções. “A gente colocou o jazz, o smooth jazz ali como uma base, quase como um fio condutor entre todas as músicas.”
A voz ocupa papel central em todo o projeto, tanto como instrumento narrativo quanto como espaço de interpretação emocional. Para a cantora, revisitar músicas tão conhecidas exigiu equilíbrio entre respeito e personalidade. “Para mim foi um momento de primeiro respeito enorme por aquelas cantoras”, afirma.

Cada faixa, segundo ela, carrega uma intenção emocional diferente e universo visual do projeto também foi pensado como extensão dessa experiência sensorial. Ao lado das diretoras criativas, Mônica buscou construir imagens que funcionassem como fragmentos de memória. “A ideia era muito de trazer um sonho, como se aquilo fosse parte de algo que você já viveu”, explica. “Tem muito essa estética forte, mas ao mesmo tempo também muito feminina e delicada.”
Entre todas as interpretações do álbum, uma canção teve impacto especial durante o processo: “Don’t Let Me Be Misunderstood. Eu acho que a mensagem daquela música me toca muito e tem muito a ver comigo. Então, ela com certeza foi a minha preferida e a que eu mais mergulhei.”
Mais do que apresentar um álbum, Mônica espera que o público viva a experiência completa de “Corpo Coral” como uma travessia emocional. “Se você tá nesse momento também onde você quer se transformar, quer passar por esse momento, é só mergulhar comigo.”

Para a artista, o disco também funciona como exercício de vulnerabilidade e presença. “Eu me coloquei como humana mesmo”, resume. “E eu acho que é isso que eu também quero que as pessoas sintam ali, que a gente é obrigada o tempo todo a performar, performar. A gente também quer só respirar às vezes e viver e presenciar aquilo”
Entre homenagens, releituras e experiências pessoais, “Corpo Coral” surge como um projeto que atravessa emoção, identidade e transformação sem perder delicadeza. Ao unir música, imagem e presença, Mônica Casagrande cria um trabalho que convida o público a desacelerar e mergulhar em seus próprios processos internos. Mais do que reinterpretar canções já conhecidas, a artista transforma cada faixa em parte de uma jornada íntima sobre coragem, sensibilidade e renascimento.
Fonte:www.glp4.com