
A artista Nany People vive um momento de celebração e colheita. Recém-homenageada no 7º Prêmio Arcanjo – em um tributo emocionante que marcou seus 60 anos de vida e 50 de carreira – ela retorna aos palcos com a nova montagem de “Como Salvar Um Casamento”. Em entrevista exclusiva ao GLP4, Nany reflete sobre o reconhecimento e as novidades que a maturidade trouxe para sua arte.
O reconhecimento
O prêmio Arcanjo chegou em um momento especial de sua trajetória, e Nany o recebe com profunda gratidão. “Esse reconhecimento chega com gratidão, com a certeza de que valeu a pena me manter no propósito, não ter desvencilhado do meu caminho, da minha verdadeira vocação, ter feito o teatro, o meu grande trilho, minha grande trilha de vida, fomentação e formatação de vida e de fé,” compartilha. “Então, um prêmio desse é o reconhecimento de que realmente eu me mantive no caminho certo e mantive no propósito, coisa que a gente às vezes é convidada a se descontrair, de se concentrar, desvencilhar. Para mim foi muito importante.”
Durante a cerimônia, Nany relembrou a crítica publicada pelo jornalista Miguel Arcanjo Prado em 2007, que foi crucial para a primeira versão de “Como Salvar Um Casamento”. “Como as coisas mudaram, né? Você vê, em 2007 foi feita a peça, e a gente não tinha espaço para mostrar, para mostrar trabalho, para poder divulgar a peça. Não tinha,” ela conta. “Quando o Miguel me dá essa crítica contigo, ele me abriu onde virava um mundo novo. Ele me deu um olhar de possibilidade. Ele me tornou viável a minha produção.”
“Como salvar um casamento”
A comédia “Como Salvar Um Casamento” retorna repaginada e, agora, em formato de monólogo, o que a artista define como uma oportunidade de maior controle criativo. “O bom de ser monólogo é que você levanta e dá o saque como você quer da piada. Quando você faz com outros atores, você depende do saque que o outro te retorna do lance que você deu,” explica. “Com monólogo é muito mais fácil que você mesmo formata, fundamenta, leva a bola e dá o saque. Então a coisa fica mais, vamos dizer, direcionada, sai mais com a sua digital.”
A remontagem também permitiu que a peça abordasse o tema das relações de forma mais contemporânea. “O importante ter sido remontada também a peça é que a gente revisita outros relacionamentos, não só aquela visão feminina que tinha a peça do universo feminino sobre masculino. A gente fala de outros tipos de relacionamentos, a gente fala até de trisal.”
Essa visão sobre as relações amorosas mudou bastante para Nany ao longo dos últimos 15 anos. “Mudou a forma de como a gente pode se considerar hoje relacionamentos. A gente está mais democrático, a gente mostra que há respeitabilidade à base de tudo e que realmente o amor é incondicional, independente de sexo, gênero, raça, cor, credo ou espaço geográfico. Então ficou muito mais democrático o amor assim. Ficou muito mais gostoso de se falar dele.”
O público como parceiro de cena
Uma das marcas registradas de Nany People é a interatividade com o público, elemento mantido na nova temporada. Ela define a plateia como um parceiro essencial. “Sabe que o público é o termômetro certo para ver se você realmente está trilhando o caminho certo, se o bolo está fermentando direito. Quando você põe o público como um aditivo da sua química teatral, então você sabe como é que o espetáculo está sendo conduzido,” diz Nany.
“O público acaba sendo cúmplice da nossa ação teatral, do nosso fazer teatral. É o fermento do bolo. A plateia tendo talento, o espetáculo cresce muito. A plateia não tem talento, o bolo batuma. Porque não basta só a gente ter talento, não. A plateia também tem que ter talento.”
A colheita
Entre prêmios e a reestreia da peça, Nany People define esta fase da sua vida como a do merecido descanso e reflexão. “Eu estou no momento de colheita, querida. Estou no momento de colheita, tudo que eu fiz na minha vida, sabe? 60 é a idade da gente estar de contemplar. Quando a gente ainda tem 50, a gente é muito reativa a tudo,” ela reflete.
“Com 60, você contempla. Você tira certos raciocínios com muito mais humor. Sei que não vale a pena nem às vezes entrar em tanta discussão que vão continuar se degladiando por si só. Então, você aprende a ser mais contemplativa, agradecida e, sobretudo, com mais sabedoria.”
Fonte:www.glp4.com