Em Dessau, essa radicalização é visível também nas ruas: por todo canto veem-se pichações de cruzes suásticas, caricaturas de Adolf Hitler, palavras de ordem nazistas. “Em certas regiões rurais do Leste alemão, ‘nazista’ se tornou simplesmente pop”, comenta Lukas Jocher, que também trabalha para o GegenPart. “E é cool escrever nas paredes do estacionamento essa canção Heil Hitler, do rapper americano Kanye West.”
Alemanha comunista, reunificação – e depois
Vários jovens com que a DW falou na cidadezinha alemã confirmaram: ser de ultradireita é, de algum modo, cool. Entre eles, está Jeremy (nome modificado), de 17 anos, alto e bem-educado, de roupas esportivas, acompanhado por duas meninas. À primeira vista, todos parecem adolescentes alemães medianos, perfeitamente normais.
Como é o extremismo de direita na escola que frequentam? “Hitler é adorado, e como!”, dizem, rindo. A saudação nazista faz parte do dia a dia escolar; nas festas cantam “Ausländer raus!” (Fora com os estrangeiros): “A gente simplesmente canta junto, não importa que música esteja tocando”, ri Jeremy.
A explicação de como se chegou a esse ponto de radicalização juvenil, vai longe. Com 75 mil habitantes, Dessau – ou, mais corretamente, Dessau-Rosslau, seu nome oficial desde a fusão com o município vizinho – é o que se chama na Alemanha um oberzentrum (supercentro): uma cidade que, com seu comércio, hospitais e museus abastece toda uma região.
A reunificação da RDA com a República Federal da Alemanha (RFA), em 1990, trouxe liberdades consideráveis aos moradores do Leste, mas também o colapso econômico, resultando em desemprego e êxodo em massa da população jovem, de boa formação – tendência que se mantém.
Fonte:UOL