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Opinião: Daphne Bozaski desconcerta o público e se reinventa em “Três Graças”


Atriz rompe expectativas, abandona a doçura que marcou sua carreira e entrega uma personagem tensa e precisa na novela das nove da Globo

Daphne Bozaski entrou em “Três Graças” com um tipo de personagem que o público não esperava dela, e isso virou um dos pontos mais comentados da novela. A recepção nas redes mostra um consenso curioso. Parte do público está chocada com a frieza e o incômodo da personagem. Outra parte está fascinada com a precisão do trabalho. Em ambos os casos, a reação nasce do mesmo lugar. Daphne criou alguém que não lembra em nada as figuras que a tornaram conhecida.

Benê e Lupita (personagens de “Malhação” e “Família É Tudo”, já eram personagens muito diferentes entre si, mas ainda assim carregavam uma doçura, um humor, um charme juvenil. Em “Três Graças”, Daphne entrega um corpo, um olhar e um modo de se mover que não têm qualquer vestígio dessas criações anteriores. Há uma compostura calculada, uma contenção que vira tensão. A personagem incomoda porque foi moldada para isso, e Daphne segura essa corda com firmeza.

O público captou esses detalhes. A mudança de expressão no meio de uma cena. A transição sutil entre falsa cordialidade e incômodo. A naturalidade com que ela alterna doçura performativa e intenção duvidosa. São nuances que acabam ganhando mais força justamente porque vêm embaladas por uma atriz que, até então, entregava personagens mais luminosos.

Fora isso, na pele da vilãzinha Lucélia, ela tem capacidade de provocar reação, já que há quem diga que nunca tinha odiado um personagem dela. Há quem celebre a escrita e a atuação por trazer de volta um tipo de vilã que não existe só para virar meme. Uma vilã que cumpre função dramática, que desequilibra a história e expõe fragilidades de quem está ao redor.

O público pode até reclamar da personagem, mas a reclamação é prova de acerto. Criar antipatia no horário mais popular do país exige técnica. Sustentar essa antipatia sem cair na caricatura exige ainda mais. E é isso que torna essa fase de Daphne tão interessante. Em vez de repetir fórmulas, ela se desafia e desafia o público.



Fonte: Portal Leo Dias

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