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Por que a cremação não é tradição no candomblé e como o caso de Preta Gil reacendeu esse debate



A escolha da cremação como rito final para o corpo de Preta Gil, confirmada por sua família após a divulgação do velório no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, abriu espaço para uma discussão delicada: a prática está em desacordo com as tradições do candomblé?

A resposta não é simples, mas pode ser resumida em uma premissa fundamental dessa religião de matriz africana: o corpo, após a morte, deve retornar à terra. Isso porque, no candomblé, o corpo carrega axé — uma energia sagrada e vital e é considerado veículo de ligação com os orixás e com a ancestralidade. Enterrá-lo no solo é, portanto, parte de um ciclo espiritual que respeita a natureza e seus elementos.

Omolu (ou Obaluaiê), orixá associado à morte e à terra, é central nesse processo. O sepultamento simboliza a entrega do corpo a ele, em um gesto de respeito e reconexão. Por isso, a cremação costuma ser evitada: a destruição imediata da matéria por fogo pode ser interpretada, por muitas casas religiosas, como um rompimento dessa passagem sagrada.

No entanto, não existe uma proibição dogmática que impeça o ato de cremar. Não há uma “lei” única no candomblé práticas e entendimentos variam conforme a nação, o terreiro, o tempo de iniciação da pessoa falecida e, acima de tudo, o respeito à sua vontade.

Foi esse o ponto mais destacado pela equipe e pela família de Preta Gil: a decisão partiu dela. Segundo pessoas próximas, a cantora teria deixado registrado o desejo de ser cremada. Diante disso, a família optou por respeitar sua escolha pessoal, como forma de honrar também sua espiritualidade.





Fonte:www.glp4.com

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