O cantor de funk MC Negão Original, nome artístico de João Vitor Ribeiro, entrou no radar da Polícia Civil de São Paulo nesta terça-feira (24/2), durante a operação “Fim da Fábula”. A investigação apura um esquema de golpes digitais em larga escala que, segundo as autoridades, teria movimentado cerca de R$ 100 milhões por meio de fintechs e plataformas de apostas on-line. Com forte presença nas redes sociais e nos streamings de música, o artista já atuou em série da Netflix e possui forte relação com a religião evangélica.
Na web, MC Negão Original construiu uma imagem pública associada à ostentação e ao sucesso rápido. Na plataforma Spotify, soma mais de 11 milhões de ouvintes mensais e ganhou projeção nacional com faixas como “Medley de Igaratá” e “Pirocada Quente”. O álbum “A Nata de Tudo – A Ovelha Negra” chegou ao topo do ranking global de estreias do serviço.
Veja as fotos

Operação mira MC Negão Original por suspeita de envolvimento em esquema milionárioReprodução

Operação mira MC Negão Original por suspeita de envolvimento em esquema milionárioReprodução

Operação mira MC Negão Original por suspeita de envolvimento em esquema milionárioReprodução

Operação mira MC Negão Original por suspeita de envolvimento em esquema milionárioReprodução

Operação mira MC Negão Original por suspeita de envolvimento em esquema milionárioReprodução
Em entrevistas anteriores, o artista relatou uma trajetória marcada por contrastes. Disse ter se envolvido com o crime ainda jovem por dificuldades financeiras, ao mesmo tempo em que mantinha vínculos com a religião evangélica, chegando a atuar como pregador durante a adolescência. Segundo ele, uma passagem por uma clínica de acolhimento foi decisiva para repensar caminhos e investir na música.
A carreira no funk ganhou impulso com vídeos nas redes, nos quais narrava histórias da periferia e criou um personagem que rapidamente viralizou. Adotando o estilo conhecido como “proibidão” paulista, passou a frequentar grandes bailes e a realizar uma agenda intensa de shows, com cachês elevados. O repertório, marcado por referências ao cotidiano das quebradas, também alimenta debates sobre os limites entre expressão artística e apologia ao crime.
Além da música, o funkeiro já fez participação na série “DNA do Crime”, da Netflix, e declarou interesse em seguir carreira como ator.
Operação “Fim de Fábula”
A ação é coordenada pelo Departamento de Investigações Criminais, em parceria com o Ministério Público de São Paulo. Ao todo, são cumpridos 120 mandados de busca e apreensão e 53 de prisão temporária em cidades de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores, além da restrição de dezenas de contas bancárias ligadas aos investigados. Entre as fraudes apuradas estão o “golpe do INSS”, o “falso advogado” e a chamada “mão fantasma”, além do uso de cartões clonados e centrais telefônicas falsas.
O que diz a defesa do artista
Em nota divulgada nas redes sociais, a defesa de MC Negão Original afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação e, por isso, não é possível realizar uma análise técnica aprofundada sobre as acusações.
O advogado do artista sustenta que todas as transações financeiras relacionadas a ele têm origem lícita e que a inocência será comprovada assim que houver acesso completo aos documentos.
A defesa também declarou confiança no devido processo legal e informou que eventuais esclarecimentos serão prestados nos autos.
Leia a nota completa:
A defesa técnica de João Vitor Ribeiro Marcelino Guido, artista musical conhecido nacionalmente e internacionalmente como MC Negão Original, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos.
O artista é pessoa idônea, com trajetória profissional consolidada no cenário musical, possuindo grande expressão pública e reconhecimento no Brasil e no exterior. No momento, a defesa ainda não teve acesso integral aos autos da investigação que originou as medidas recentemente divulgadas, circunstância que impede qualquer análise técnica aprofundada sobre os fatos imputados.
Ressalta-se que João Vitor comprovará sua inocência assim que a defesa obtiver acesso completo aos elementos do procedimento, oportunidade em que será possível compreender com precisão o teor da acusação e exercer plenamente o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa.
Importante destacar, ainda, que todas as transações financeiras relacionadas ao artista possuem lastro documental e origem lícita, o que será devidamente demonstrado no momento oportuno, tão logo a defesa tenha acesso aos documentos e elementos investigativos.
A defesa reafirma confiança nas instituições e no devido processo legal, reiterando que quaisquer esclarecimentos serão prestados nos autos, foro adequado para a análise técnica e imparcial dos fatos.
Fonte: Portal Leo Dias