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Sertanejo perde hegemonia histórica e pagode assume liderança no streaming brasileiro



Uma mudança histórica acaba de ser confirmada no consumo de música no Brasil. Após sete anos de domínio absoluto, o sertanejo perdeu a liderança anual no streaming e abriu espaço para a ascensão definitiva do pagode. Os dados mais recentes da Pro-Música Brasil, que consolidam números de Spotify, Deezer, YouTube e Apple Music, apontam o gênero como o mais ouvido do país em 2025, cenário que se mantém no início de 2026.

A última vez que o sertanejo não ocupava o topo do ranking foi em 2018. Desde então, o estilo construiu uma hegemonia que parecia inabalável, sustentada por lançamentos constantes e forte presença digital. O novo levantamento, no entanto, evidencia uma virada no comportamento do público e no funcionamento do próprio mercado musical.

No centro dessa transformação está o grupo Menos é Mais. A faixa “P do Pecado”, em parceria com Simone Mendes, tornou-se a música mais executada do ano e simboliza o movimento que impulsionou o pagode ao primeiro lugar. O sucesso extrapolou as plataformas de streaming, dominou redes sociais e consolidou o chamado pagonejo, união estratégica entre dois gêneros historicamente populares no país.

Além do hit líder, o Menos é Mais emplacou outras faixas no Top 50, como “Coração Partido”, reforçando a força de um pagode repaginado, pensado para algoritmos, vídeos curtos e compartilhamento em massa. O gênero, que por anos esteve à margem das grandes disputas do streaming, retorna ao centro do mercado com nova estética e linguagem mais conectada ao digital.

Enquanto o sertanejo perde espaço no topo, ritmos urbanos avançam rapidamente. Funk e trap registraram o maior crescimento percentual de audiência no período. Um dos principais exemplos é MC Ryan SP, que lidera o Spotify em fevereiro de 2026 com mais de 22 milhões de ouvintes mensais. O cenário atual aponta para uma divisão mais equilibrada de protagonismo, ainda que o sertanejo siga forte em número total de artistas no Top 100.

Especialistas do mercado musical avaliam que a queda do sertanejo está ligada à saturação do modelo de lançamentos em série, especialmente os chamados DVDs frequentes, e à demora na renovação sonora. Ao mesmo tempo, o crescimento das MTGs e da cultura de remix no TikTok favoreceu batidas mais rápidas e gêneros que convertem engajamento em streams com maior agilidade.

O sertanejo segue como uma potência da indústria fonográfica nacional, mas, pela primeira vez em quase uma década, deixa de ditar sozinho o ritmo do streaming brasileiro. O trono mudou de mãos e o jogo, agora, parece mais aberto do que nunca.





Fonte:www.glp4.com

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