Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim
O economista ressaltou que o tema fiscal no Brasil voltou ao radar com muita relevância e traz muita preocupação.
Tem uma segunda história que é dada que existe a piora fiscal depois de dois anos de gastos bastante fortes, a gente tem um consenso de Executivo, Congresso e da sociedade é que você precisa estabilizar as contas públicas. A questão é como se fazer, isso é um debate tradicional essência política, você dois caminhos: ou você controla gastos ou você aumenta impostos, o que a gente está vendo nesse momento é exatamente esse embate clássico né, uma turma querendo que o governo controle despesas e o governo tentando convencer a sociedade que precisa aumentar a arrecadação e aumentar impostos.
O discurso político sempre embaralha as coisas. O argumento do governo é que é preciso corrigir distorções, promover justiça tributária, mas a verdade o que a gente sabe no final do dia é que se trata dessa velha disputa sobre como estabilizar as contas e a teoria mostra que dificilmente você resolve isso no curto prazo. Então, o entendimento a partir da teoria de que essas questões sejam empurradas com a barriga, o resultado é que a situação fiscal vai se gravar, e aí sim a gente está contratando para o futuro próximo uma crise importante. Então, eu diria que a segunda leitura comum entre os analistas é que o tema fiscal ele volta ao radar, ganha relevância e traz muita preocupação.
O último aspecto é que enquanto existem esses embates, essas discussões, o que a gente tem é uma profunda instabilidade de regras. Vários mercados parados isso traz muita apreensão entre os investidores, não há uma perspectiva de que esse tema seja resolvido rapidamente isso deve avançar para o terceiro trimestre. Portanto, a gente tem mais uma fonte de ruídos que atrapalha o desempenho da economia. Parece que é um tema único, que é IOF, mas a verdade é muito mais do que isso mostra uma boa confusão em que a gente está metido aqui no Brasil.
Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim
Fonte: UOL