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Velson D’Souza estreia “Oleanna” em São Paulo e vive novo momento na carreira após musicais de sucesso



Entre grandes musicais e personagens de forte apelo popular, Velson D”Souza chega a um momento de inflexão na carreira com a estreia de “Oleanna”, clássico contemporâneo de David Mamet, dirigido por Daniela Stirbulov, em temporada no Teatro Vivo, em São Paulo. O novo trabalho marca seu retorno ao teatro de prosa e evidencia uma fase mais madura de sua trajetória, agora voltada a textos de alta complexidade dramática e construções mais desafiadoras em cena.

O encontro com a obra, no entanto, não é recente. O ator teve contato com o texto durante o mestrado em Acting, em Nova Iorque, entre 2011 e 2014, e desde então manteve o desejo de levá-lo ao palco. “Foi um texto que me marcou profundamente, pela complexidade dos temas e pela precisão da escrita. Durante muito tempo eu quis montar essa peça, mas ainda não tinha a idade do personagem. Agora senti que era o momento certo”, afirma Velson, ao comentar a ligação antiga com a montagem que agora ganha forma.

Em cena, “Oleanna” acompanha o embate entre um professor universitário e sua aluna, em uma relação marcada por disputas de poder, linguagem e interpretação. A força do texto está justamente na instabilidade dessas camadas, em que intenção e percepção entram em choque e transformam pequenos gestos em gatilhos para conflitos maiores. É nesse terreno de ambiguidades que o ator encontra um dos principais motores de sua investigação artística. “A gente tende a buscar um culpado e um inocente, mas Oleanna desmonta essa lógica. As certezas vão se deslocando o tempo todo, e isso me interessa como ator, porque são personagens contraditórios, tridimensionais”, diz.

Além de assumir um dos papéis centrais da montagem, Velson D”Souza também assina a produção do espetáculo. O trabalho, realizado ao lado de Daniela Stirbulov e do diretor de produção Fabio Camara, reforça uma etapa profissional em que o artista amplia sua atuação para além do palco e participa diretamente da construção global do projeto. A experiência de equilibrar criação e gestão se soma ao momento de amadurecimento que atravessa sua carreira e amplia sua presença nos bastidores do teatro.

A volta ao teatro de prosa também tem peso simbólico. Depois de anos dedicados ao universo dos musicais, linguagem em que ganhou projeção nacional, o ator retoma uma base importante de sua formação em busca de novos desafios. “Depois de um tempo longe, senti vontade de voltar e me provocar. É um texto extremamente exigente, com uma estrutura muito precisa e um personagem cheio de contradições. Sem dúvida, é um dos trabalhos mais desafiadores que já enfrentei”, afirma.

Nos últimos anos, Velson consolidou seu nome em produções de grande porte. Seu retorno ao Brasil, em 2021, foi marcado pelo protagonismo em “Silvio Santos Vem Aí”, musical biográfico que colocou o ator em evidência ao interpretar um dos maiores comunicadores do país. Mais recentemente, ele integrou o elenco de “Jersey Boys”, no papel de Tommy DeVito, trabalho que lhe rendeu indicação ao Prêmio Destaque Imprensa Digital (DID) na categoria Destaque Ator Coadjuvante. Sua performance como Silvio Santos também foi reconhecida com indicação na categoria Destaque Ator.

Na televisão, o artista construiu uma trajetória sólida ao longo dos anos, com passagens por diferentes emissoras e projetos de perfis variados. No SBT, participou de produções como “Cristal”, “Revelação” e “Vende-se Um Véu de Noiva”, além de ter retornado recentemente ao canal no elenco adulto de “A Infância de Romeu e Julieta”. Já na Record, integrou a série bíblica “Paulo, o Apóstolo”, interpretando Tito, personagem ligado à expansão do cristianismo nas primeiras comunidades. O trânsito entre teatro, televisão e audiovisual ajuda a desenhar um percurso versátil e consistente.

Paralelamente à atuação, Velson D”Souza também vem investindo na formação de novos artistas. No Espaço Colab, ele ministra o Curso de Técnicas Americanas de Interpretação para TV e Cinema, dando sequência à pesquisa desenvolvida ao longo de sua experiência internacional. Ao mesmo tempo, já prepara mais um novo passo no teatro: a estreia de “True West”, de Sam Shepard, espetáculo que irá produzir e protagonizar ao lado de Fernando Belo, com previsão de estreia em novembro no Teatro do Núcleo Experimental. “Tenho direcionado bastante minha energia para o Espaço Colab e para esse momento de aprofundamento no teatro e no trabalho de formação”, finaliza.





Fonte:www.glp4.com

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