Vivemos uma era em que todos parecem precisar ser bons em tudo, o que já seria impossível, e ainda assim parecer bons o tempo todo. São tantos estímulos, referências e comparações que, aos poucos, muita gente vai se afastando de si.
O que emerge é uma dinâmica clara: ajuste de discurso, padronização de comportamento, repetição de formas na maneira de falar, de se vestir, de rir, de existir em público. Como se todos tivessem passado por uma espécie de máquina de cópia.
Não por acaso, como treinadora de comunicação e posicionamento, sou frequentemente procurada por pessoas que querem aprender a se expressar como outras, às vezes até como eu, como se reproduzir uma forma fosse o caminho mais rápido para autoridade.
Mas o custo disso não é apenas a perda de originalidade.
É exaustão. Uma exaustão que não nasce do excesso de trabalho, mas do esforço contínuo de sustentar o que não é natural. Um cansaço que não se resolve com descanso, porque não vem do que se faz. Vem da distância entre quem se é e o que se insiste em manter.
No Brasil, os números já refletem esse cenário. Os afastamentos por burnout cresceram 493% entre 2021 e 2024, segundo o Ministério da Previdência Social. Em paralelo, os afastamentos por transtornos mentais ultrapassaram 472 mil casos no mesmo ano, o maior patamar em uma década. Não estamos diante de casos isolados, mas de um padrão estrutural.
Fonte: UOL