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Davi Xiang Li fala sobre carreira no audiovisual, revela desejo por papéis complexos e aposta em projeto autoral ambicioso


Antes das plataformas de streaming, das novelas verticais e dos sets de gravação, Davi Xiang Li já entendia uma coisa: esperar oportunidades talvez não fosse suficiente. Foi criando, dirigindo, produzindo e interpretando suas próprias histórias que ele começou a desenhar um caminho no audiovisual. Hoje, depois de acumular trabalhos em produções como “Amor da Minha Vida”, “Instinto” e a novela vertical “Quem é o pai do meu bebê?”, do Globoplay, o ator vive um momento de transição, daqueles que costumam mudar uma carreira.

Se até aqui Davi ganhou espaço interpretando personagens que movimentam a narrativa, agora o desejo é outro: carregar uma história inteira nas costas.

“Quero um personagem com responsabilidade. Um personagem presente, que carregue a história”, afirma em entrevista exclusiva ao Site GLP4.

Foto: Divulgação 

O discurso não vem carregado de ansiedade, mas de inquietação artística. Aos poucos, Davi construiu uma filmografia marcada por contrastes. Já transitou pela comédia, pelo suspense, pelo drama psicológico e por personagens de diferentes intensidades emocionais. Mas, curiosamente, existe um gênero que ainda parece distante e que ele quer enfrentar justamente por parecer mais difícil do que aparenta: o romance.

“Romance parece simples, mas é muito difícil. O acting precisa ser muito verdadeiro. Fazer emoção apenas pelo olhar é um desafio enorme”, diz.

A fala revela um ator interessado menos no glamour dos papéis e mais na complexidade deles. Não importa se será um mocinho, um vilão, um assassino, um pai de família ou alguém emocionalmente destruído. O que Davi busca são personagens que tenham profundidade suficiente para serem desmontados peça por peça.

“Eu quero um personagem complexo, que saia da primeira camada e vá para outras camadas. Quanto mais camada, melhor”, explica.

Foto: Divulgação 

Essa necessidade de aprofundamento talvez venha justamente da forma como sua carreira foi construída até aqui. Em muitos projetos para streaming e formatos verticais, Davi acabou ocupando papéis importantes para a engrenagem da narrativa, mas nem sempre com tempo suficiente para desenvolver toda a potência dramática de um personagem.

“Às vezes você chega em cima da hora, faz uma participação, cumpre uma função específica na cena. Nem sempre existe tempo ou recurso para criar um personagem complexo”, analisa.

Foi justamente para não depender apenas das oportunidades do mercado que nasceu a Baju Productions, produtora criada ao lado de Elnatan Dolce e Thalita Cumi. Mais do que um negócio, o projeto surgiu como uma espécie de resistência criativa. Um espaço para produzir histórias próprias quando as portas da indústria ainda não estavam totalmente abertas.

Na produtora, Davi não apenas atua. Também dirige, escreve, produz e acompanha todas as etapas do audiovisual. Um processo intenso, que ele admite ser tão desafiador quanto recompensador.

“Você nunca está cem por cento focado em uma coisa só. Ao mesmo tempo em que está atuando, está pensando na câmera, na luz, no roteiro, na cena inteira”, conta.

O esforço, porém, trouxe resultados. Projetos independentes renderam reconhecimento internacional, incluindo premiações em festivais de cinema e a seleção de trabalhos para mostras no exterior. Mas é um projeto ainda não filmado que ocupa hoje o maior espaço dentro da cabeça do ator.

Davi fala de “Raízes em Fuga” quase como quem descreve um sonho antigo.

Definido por ele como “o projeto da vida”, o longa mistura drama e comédia para acompanhar a trajetória de um ator imigrante dividido entre culturas, idiomas e crises internas. A produção, planejada para ser gravada entre Brasil e China, carrega referências pessoais, embora não seja autobiográfica.

O personagem principal transita entre o mandarim e o português, enfrenta conflitos emocionais profundos, vive em vulnerabilidade financeira e encara um constante choque cultural. Para Davi, interpretar esse papel talvez seja o maior teste de sua carreira.

“É um cara quebrado por dentro, com muito ego, mas pouca coisa. E fazer alguém tão próximo de algumas dores minhas, mas ao mesmo tempo diferente de mim, é muito desafiador”, revela.

O projeto ainda depende de viabilização financeira e pode levar anos até sair do papel. Ainda assim, ele já representa um ponto de virada. Um símbolo do que Davi quer construir daqui para frente.

Mais do que fazer parte de grandes produções, o ator quer deixar de ser apenas alguém que entra e muda o rumo de uma história. Quer ser o centro dela.

“Quero personagens maiores, mais complexos e que as pessoas confiem em mim para carregar essa responsabilidade”, resume.





Fonte:www.glp4.com

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